Moradores protestam por mais segurança em Brasília Teimosa


Cerca de quarenta pessoas participaram de um ato de protesto e mobilização no largo da igreja, em Brasília Teimosa, na Região Sul do Recife, para cobrar mais policiamento e resultados práticos contra assaltos que, segundo os organizadores, têm se tornado comuns. Segundo o presidente do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa, Wilson Lapa, 57 anos, na noite desta segunda-feira o segundo ato reuniu mais pessoas que o primeiro e outros serão realizados até que a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) consiga garantir a segurança. A reportagem do Diario de Pernambuco percorreu várias ruas e não achou nenhum PM. Foi solicitado posicionamento da PMPE, sem sucesso.

“Precisamos analisar a legalidade de procurar outros caminhos já que a Polícia não consegue dar conta”, analisava Roberto Silva, 58, acrescentando que Brasília Teimosa tem apenas quatro entradas e seria mais fácil controlar, mas admitia não ter certeza se os assaltantes são de fora do bairro. Para o presidente do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa, a ideia de segurança privada foi descartada. “Nós pagamos (nossos impostos) e vamos cobrar segurança”, salientou Wilson Lapa, antes de encerrar o ato.

Wilson e Roberto concordavam que os atos surtiram algum efeito, com o aparecimento de policiais, mas ainda muito pouco. E relataram que cerca de uma hora antes do ato de ontem à noite, às 19h15, ocorreu mais um assalto praticado por dois homens com camisetas cinza e de capacetes numa motocicleta de placas não anotadas. “Já foi perto de uma das saídas, na Rua das Oficinas”, destacou Roberto.

Rita Lima, 51, chamava atenção para a reduzida participação de lideranças das associações de moradores e da própria comunidade. Para ela, as lideranças vão ter que responder sobre as ausências nas próximas eleições e o que afasta moradores é o medo. Wilson salientou que o convite foi aberto para os vereadores, mas nenhum apareceu, nem os dois que teriam sido eleitos pela comunidade, Eduardo Chera (PDT) e Ricardo Cruz (PPS).

O  presidente do Conselho de Moradores de Brasília Teimosa também acredita que o medo contribui para o esvaziamento e acrescenta o efeito do incidente ocorrido em Itambé, a 92 quilômetros do Recife, na Zona da Mata Norte, onde, na sexta-feira passada Edvaldo Alves da Silva, 23, foi baleado por um PM quando participava justamente de um protesto contra a insegurança no município.
“Não queremos um caso como o de Itambé”, salientou Wilson. “Nessa guerra da Polícia Militar com o Governo de Pernambuco quem sofre somos nós”, desabafou ao microfone. Mais seis pessoas se juntaram à comissão que agora totaliza 14 representantes dos moradores que visitarão o 19º Batalhão da PMPE, responsável pelo policiamento ostensivo do bairro cobrar policiamento com respeito à cidadania.

Por: Diário de Pernambuco