Vídeos restaurados revelam poder dos testes nucleares da Guerra Fria



À beira da decomposição, filmes antigos de testes nucleares gravados pelo governo dos Estados Unidos durante a Guera Fria foram restaurados por uma equipe de especialistas em cinema, arquivistas e desenvolvedores de softwares do laboratório Lawrence Livermore National e divulgados neste mês no YouTube.


Ao todo, 63 vídeos já foram divulgados na plataforma e outros 6.500 ainda devem ser restaurados pela equipe. “Sabemos que esses filmes estão à beira da decomposição até o ponto em que se tornarão inúteis. Eles são feitos de material orgânico, e material orgânico se decompõe. Então é isso. Chegamos a este projeto apenas a tempo de salvar os dados”, afirmou o físico Greg Spriggs, que liderou a equipe, em entrevista ao site do canal americano CBS.


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De acordo com Spriggs, novos conhecimentos sobre os efeitos das bombas nucleares puderam ser adquiridos graças às restaurações. “Uma das recompensas deste projeto é que agora estamos recebendo respostas muito consistentes. Também descobrimos coisas novas sobre essas detonações que nunca foram vistas antes. Novas correlações estão sendo usadas pela comunidade forense, por exemplo”, disse.


No meio das tensões da Guerra Fria de 1945 a 1962, os Estados Unidos realizaram 210 testes nucleares atmosféricos, com várias câmeras filmando cada teste de ângulos diferentes. Cerca de 10.000 desses velhos filmes foram escondidos e praticamente esquecidos.


Além de fortalecer os dados de referência para a compreensão das explosões nucleares, os pesquisadores são motivados por outra esperança: a dissuasão nuclear continuada. Cada presidente desde Ronald Reagan tentou reduzir o arsenal atômico do mundo. Mais recentemente, em 2010, o presidente Obama assinou um tratado de reduções com a Rússia. Mas em dezembro, o presidente Trump sinalizou um caminho totalmente diferente, pelo menos retoricamente, quando ele twittou: “Os Estados Unidos devem fortalecer e expandir sua capacidade nuclear até o momento em que o mundo se tornar sensato em relação às armas nucleares”.


Olhando para as imagens da explosões, Spriggs disse à CBS que a energia liberada dos testes nucleares permanece “inacreditável” para ele. “Esperamos que nunca mais tenhamos que usar uma arma nuclear”, ponderou. “Eu acho que se capturarmos a história disto e mostrarmos a força dessas armas e quanta devastação elas podem causar, então talvez as pessoas sejam relutantes em usá-las”.


Fonte: O Tempo