Empresário penedense reencontra mãe após 37 anos

Alexandre é proprietário de uma empresa de forro e decoração em gesso de Penedo

A vida de Iraci Sabino, de 55 anos, tem sido uma guerra. Mas a maior das batalhas ela perdeu há 37 anos, quando deixou o filho de dez dias com o pai e nunca mais o viu.

Mudou-se de Penedo, cidade distante 170 quilômetros de Maceió (AL), para Santos em 1992. Não engravidou novamente e nem se casou. Também nunca encontrou coragem suficiente para refazer o caminho e dar um novo rumo à história de sua vida. O medo que seu único filho a rejeitasse só foi controlado na noite da última quinta-feira (6).

Esta história começa em 1980, quando Iraci tomou a decisão mais difícil da sua existência. Mãe solteira, não tinha onde morar com o filho recém-nascido. A pousada onde trabalhava não a aceitou de volta com a criança, após o parto. Foi depois de uma noite chuvosa e fria que passou debaixo de um toldo, com o bebê no colo, que ela se conscientizou da derrota e entregou o filho ao pai.

“A minha vida foi muito difícil. Fui obrigada a me afastar dele. Não ia dormir com uma criança na rua. Eu, sozinha, podia aguentar a fome, a chuva e o frio, mas ele era um bebê. Não me arrependo, não. Nunca deixei de gostar do meu filho. Em todos seus aniversários, Natal e nas datas mais importantes, sempre desejei muito amor pra ele”.

Neste enredo, a falta da coragem foi compensada com esperança e fé. No fundo, Iraci acreditava que, se merecesse conhecer o filho, ele a encontraria algum dia. O destino já os aproximava sem que ambos soubessem.

A busca

Em janeiro, Iraci voltou ao Nordeste e passou um mês na casa dos pais, em Olho D’Água Grande, município a apenas uma hora de Penedo. Nesta mesma época, Carlos Alexandre dos Santos tinha retomado suas tentativas de encontrar a mãe biológica. O que ele nunca imaginou é que ela esteve a apenas uma hora de distância dele. A cidade dos avós maternos fica a 57 quilômetros da sua casa.

No entanto, em janeiro, nem o nome de Iraci ele sabia. A única pista é que ela moraria na região de Santos. Registrado em nome de outra mulher, o então adolescente só descobriu que tinha outra mãe aos 17 anos durante uma briga com a família.

“Foi um choque, mas não sei nem explicar o que aconteceu. Não questionei meu pai nem minha mãe e eles também não me deram detalhes. Ficou esse vazio. Cresci, casei, fiz minha família e anos mais tarde, depois que minha mãe (Elza) faleceu, meu pai me perguntou se eu gostaria de conhecer minha mãe biológica”.

Tudo o que recebeu de ajuda foi o telefone da filha de um amigo do pai, que mora na Zona Noroeste de Santos. O primeiro contato em busca de sua origem foi há nove anos, mas não obteve sucesso. A mulher que o atendeu até lembrou de sua mãe, que foi sua vizinha, mas disse que tinha perdido o contato.

Depois da frustração, levou a vida normalmente. Já casado com Ana Maria, comerciante estabelecido em Penedo, teve dois filhos, Gabriela e João Gustavo, hoje com 8 e 4 anos, respectivamente. Só voltou a pensar em encontrar sua genitora em novembro do ano passado.

E foi justamente uma história como a dele que o inspirou a tirar