Ademar Pereira: O desafio do reajuste escolar


Todos os anos, no segundo semestre, os diretores das mais de 40 mil escolas particulares em todo  o Brasil, se dedicam a um exercício complicado que diz respeito à definição do reajuste da mensalidade escolar para o ano seguinte. A tarefa não nada é simples, uma vez que envolve uma série de fatores que vão além do ambiente escolar e das possibilidades deprevisões e projeções econômicas destas escolas. Para que o reajuste seja adequado ao poder aquisitivo dos pais, sem prejudicar a sustentabilidade destas unidades, é preciso avaliar e considerar aspectos como previsão de inflação, aumento de salário, aumento de despesas fixas e impostos, etc. Tudo isso dentro de uma cenário de instabilidade econômica e política no qual o País está mergulhado. 

É fundamental para a sobrevivência destas escolas, chegar à medida certa do valor da mensalidade escolar do ano seguinte, uma vez que, ao longo dos 12 meses, a unidade terá detrabalhar com o mesmo preço que foi definido, e terá de prestar o serviço sem pecar na qualidade, enfrentando, além disso, outro agravante desta realidade turbulenta, a inadimplência. Eis então um trabalho que não é para principiantes, e no qual não cabe “chutometria”. Isso poque, mesmo que minunciosamente calculada, a definição do reajuste está inevitavelmente atrelada a um alto risco. Um risco ao qual estão expostas as escolas, e com isso,  o emprego de inúmeros trabalhadores, juntamente com o sustento de várias famílias. Além disso, expõe igualmente as famílias dos alunos, que podem não conseguir arcar com as mensalidades e terem de buscar uma vaga na escola pública. 

Cabe reforçar que precisamos estar com os pés no chão e extremamente atentos à profundidade de uma crise que tem se mostrado duradoura no Brasil, com uma instabilidade que priora qualquer tentativa de previsão econômica futura.  Um cenário com uma sofrível perspectiva de crescimento de 0,5% para este ano, I