Georgina Santos: Quando instalar o modelo de governança numa empresa familiar?


Se entendemos a governança como o conjunto de regras que definem as interações entre os sócios de um empreendimento familiar (propriedade), a família empresária (família) e os dirigentes do negócio (gestão) com o objetivo de otimizar o desempenho de uma empresa e proteger todas as partes interessadas – proprietários, herdeiros, executivos, etc, é relevante avaliar o momento oportuno de fazer a sua aplicação. A partir da conceituação pode-se dizer que o tempo ideal é coincidente com a criação do empreendimento; em tese, as empresas já deveriam nascer trabalhando as questões da governança, mas óbvio que esta não é a realidade.
Em geral, para a primeira geração – os fundadores – a questão não é uma prioridade, uma vez que nessa fase o desafio está em fazer o negócio se estabelecer, em transformar o sonho em algo rentável. De modo geral, o tema só se torna prioridade quando a segunda e terceira geração – os filhos e netos – começam a atuar juntos na organização, há demanda de mais informações e os conflitos se tornam mais frequentes e intensos, impactando na unidade familiar e nos negócios.
Trabalhar a governança quando os conflitos já estão estabelecidos torna a construção das regras mais desgastante para todos, o que é minimizado quando o desenvolvimento do negócio e a estruturação do modelo e das práticas de governança caminham juntos. Talvez seja utópico pensar a governança já na fundação do empreendimento, mas não é demais trabalhar a questão antes da segunda geração começar a trabalhar, seja nos negócios da família ou não. Quando isso é feito, as diferenças entre herdeiros e sucessores são esclarecidas, seus direitos e deveres estabelecidos, protegendo o empreendimento daqueles não têm interesse nem aptidão para o negócio.
Infelizmente, o mais comum é as empresas familiares chegarem à segunda e até à terceira geração com poucas práticas de governança estabelecidas e sérios conflitos não resolvidos. Não são raras, por exemplo,