“Vão me entregar à morte”, diz Cesare Battisti em entrevista


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Battisti teme jamais voltar a ver o filho caso seja extraditado

 

Condenado à prisão perpétua na Itália, onde é acusado de ter matado quatro pessoas, o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti diz que uma eventual decisão do presidente Michel Temer em extraditá-lo ao país de origem equivaleria a condená-lo à pena de morte. “Não sabemos em que se baseia o gabinete jurídico da Presidência [da República] para que eu possa ser extraditado. Não sei se o Brasil vai querer se manchar sabendo que o governo e a mídia criaram este monstro na Itália. Vão me entregar à morte”, declarou Battisti, 62 anos, em entrevista ao jornal O Estado S.Paulo.

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Battisti vive em liberdade no Brasil desde 2010, por decisão do ex-presidente Lula. Voltou ao noticiário há poucos dias, detido pela Polícia Federal em Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, para onde seguia com outros dois homens portando R$ 25 mil. Para os investigadores, tratou-se de tentativa de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusação que o levou à cadeia por dois dias. Mas um desembargador considerou que os crimes não estavam configurados e o livrou do cárcere.

É esperado para os próximos dias um parecer da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Presidência da República sobre a possibilidade de Temer revogar o decreto presidencial de Lula e, assim, autorizar a extradição de Battisti para a Itália. Enquanto isso, segundo o relato do Estadão, o italiano perde noites de sono e se diz horrorizado de, uma vez confinado à prisão perpétua, jamais voltar a ver o filho de quatro anos.

“O que me preocupa demais é a ideia de que não vou mais ver meu filho se acontecer isso. Ele vai fazer 4 anos no dia 13 de novem