“Coisa de preto, coisa de negro”


Coisa de preto, coisa de negro. Trecho do romance “O filho renegado de Deus”. Por Urariano Mota

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por Urariano Mota*

O negro, tão natural, tão à vontade, mudava o modo de operar com os burgueses que encontrava no Recife. As curvaturas e cumprimentos aos gringos se tornavam fio de prumo erguido no peito, a conversar em inglês com os recifenses mais cultos. Para quê? Provocador, com um senso agudo das deficiências dos adversários – as pessoas que tiveram as oportunidades que lhe foram negadas -, com uma lanceta incidia em seus pontos mais doloridos. “Ai” não gritavam. A vontade que tinham era de emudecer. Os livros formais, a pronúncia formal, as frases de convenção formais, as saudações polidas, as palavras de boas escolas com as flexões de número e