Djavan não está sozinho: as 10 letras mais sem sentido da MPB – 28/08/2017


Não tem graça ouvir uma música e entender a letra logo de cara. A licença poética é como se fosse um tempero que deixa a canção mais gostosa, mais redonda, menos roteirizada. Mas, como todo tempero usado em excesso, pode ser difícil de digerir… E de entender. Se alguma dessas músicas caísse nas questões de interpretação de texto do Enem, seria difícil acertar:

1. Djavan – “Açaí

“Açai, guardiã / Zum de besouro, um ímã”. Um clássico da licença poética lançado em 1982 e que intriga ouvintes até hoje. O crítico musical Artur Xexéo, em tom de brincadeira, chegou a criar o “Prêmio Zum de Besouro” para as letras mais nonsense. Mas Djavan tem uma explicação: “para quem gosta da natureza, é impossível ouvir um zunido qualquer e não se interessar por quem o está produzindo. Por isso, um ímã”.

 

2. Gilberto Gil – “Refazenda”

“Abacateiro saiba que na refazenda / Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar”. Esta foi a música vencedora do “Prêmio Zum de Besouro”, citado acima. O próprio Gilberto Gil admitiu que a letra foi o resultado de “uma justaposição de nonsenses”. Mas, no fim, o abacateiro e a guariroba acabam fazendo algum sentido dentro da proposta de “reiteração do diálogo com a natureza”, que segundo ele foi o que inspirou a música: “

 

3. Novos Baianos – “Acabou Chorare”

“Acabou chorare, ficou tudo lindo / De manhã cedinho, tudo cá cá cá, na fé fé fé / No bu bu li li, no bu bu li lindo”. A música-título do álbum de maior sucesso dos Novos Baianos foi inspirada em João Gilberto. Não só no ritmo, mas na história da letra. Quando a filha Bebel Gilberto morava no México, além disso misturava português com castelhano, e depois que caía ou esbarrava em alguma coisa, logo dizia “acabou chorare”. Mas a ideia inicial era fazer uma música sobre mel, flores, abelhas… Juntando tudo, o resultado foi esse.

 

4. Caetano Veloso – “Qualquer Coisa”

O clássico que abre o disco de mesmo nome lançado em 1975 tem uma melodia suave, que cativa fãs até hoje. Mas poucos devem entender os versos enigmáticos como “Nem a sanha arranha o carro / Nem o sarro arranha a Espanha”. Talvez o sentido da letra seja justamente não fazer sentido, assim como esse papo, que já tá qualquer coisa.

 

5. Zé Ramalho – “Chão de Giz”

“Eu vou te jogar / Num pano de guardar confetes”. Uma desilusão amorosa na juventude, envolvendo uma mulher mais velha da alta sociedade, inspirou Zé Ramalho a escrever estes belos e enigmáticos versos, irresistíveis no videokê, mas além disso incompreensíveis para muita gente: “Disparo balas de canhão / É inútil, uma vez que existe / Um grão-vizir”.

 

6. Beto Guedes – “Feira Moderna”

A música mineira se caracterizou por letras e melodias rebuscadas, e um grande exemplo da subjetividade poética dos integrantes do Clube da Esquina é esta composição de Beto Guedes: “Feira moderna, o convite sensual / Oh! telefonista, a palavra já morreu”.

 

7. Jorge Mautner – “Guzzy Muzzy”

Ele é um dos maiores poetas da música brasileira e teve suas composições gravadas por Caetano, Gil, Gal Costa e muitos outros. Mas qualquer tipo de lirismo foi deixado de lado nestes versos: “Será que você tomou / Cachaça com chuchu / Não consegue responder / Guzzy guzzy muzzy, hey you”. Pelo menos, a música tenta explicar algo: “Guzzy quer dizer que eu te amo / E muzzy quer dizer que eu te adoro”.

 

8. Jorge Ben Jor – “W/Brasil”

O ritmo é contagiante, a letra é divertida… Mas o que significa a letra, mesmo? “Jacarezinho! Avião! / Cuidado com o disco voador / Tira essa escada daí”. Bom, não interessa, o que importa é que, quando essa música toca, ninguém fica parado. E se quiser reclamar, é só chamar o síndico.

 

9. Roberto Carlos – “El Gato Que Esta Triste Y Azul”

A fama dos músicos brasileiros de fazer letras sem sentido foi parar no estrangeiro, e graças ao mais popular deles – e igualmente o mais improvável nesta lista. Roberto Carlos costuma cantar letras simples, de fácil entendimento. Mas, quando foi fazer uma adaptação para o espanhol de uma canção italiana, surgiu o enigmático verso “o gato que está triste e azul”.

 

 

10. Tim Maia – “É Necessário”

Tim Maia era realmente um gênio. Enquanto todos os artistas da MPB vasculhavam o dicionário em busca de palavras rebuscadas para fazer letras longas e incompreensíveis, ele precisou de apenas um verbete para intrigar os ouvintes com sua composição cult conceitual. Sim, o título da música equivale à letra inteira. Não sabemos o que é necessário, nem por quê. Não é necessário. 

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Fonte: UOL.com.br