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"Não consideramos nem por um momento cancelar o show em Israel", diz Caetano

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Jerusalém, 27 jul (EFE).- Acompanhado de Gilberto Gil, Caetano Veloso disse nesta segunda-feira que não considerou em nenhum momento cancelar o show que os dois farão amanhã em Tel Aviv, apesar dos pedidos feitos por grupos pró-boicote a Israel.

Em uma iniciativa promovida pelo ex-presidente israelense Shimon Peres, que os recebeu no centro que leva seu nome na cidade de Yafo, ao sul de Tel Aviv, Caetano e Gil se reuniram com um grupo de crianças judias e palestinas para expressar seu apoio ao diálogo e à tolerância.

Ali, os brasileiros reiteraram sua intenção de se apresentar em Israel, apesar dos insistentes apelos do movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS), que lhes pediu para desistir do show por entender que representa um apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos.

“Não consideramos nem por um momento cancelar nosso show em Israel. Nós amamos Israel e estamos contentes de nos apresentar em um lugar onde há esperança de paz”, declarou Caetano, segundo um comunicado do Centro Peres da Paz.

O músico brasileiro acrescentou, em uma breve entrevista após a visita, que entendia “que o ambiente que se vive (em Israel) é complexo, mas quando vê as oportunidades ao alcance e a beleza de Tel Aviv só pode observar o que há de bom aqui”.

Por sua parte, Peres disse aos brasileiros que “sua música une as pessoas” e expressou seu agradecimento por terem visitado o centro que estimula a coexistência pacífica entre árabes e judeus.

“Estou orgulhoso e contente que tenham se transformado em embaixadores do Centro Peres”, acrescentou.

Caetano e Gil visitaram hoje o povoado palestino de Susia, no distrito cisjordaniano de Hebron, onde pesam sobre 40 casas ordens de demolição ditadas pelas autoridades israelenses.

Pela tarde foram homenageados em uma festa em um hotel de Tel Aviv por um grupo de artistas israelenses e várias ONGs que defendem a coexistência e a paz entre os dois povos em conflito.

Os pedidos de boicote ao show se intensificaram no mês de maio, quando um dos fundadores do Pink Floyd, Roger Waters, e o cardeal sul-africano Desmon Tutu, destacaram sua admiração pelo trabalho de Caetano e Gil e seu “histórico compromisso com a luta pela justiça, a liberdade e a igualdade”.

Os dois lhes lembraram que “o mês de julho marcará um ano do aniversário dos ataques israelenses contra Gaza durante o qual Israel matou mais de dois mil palestinos, incluindo 500 crianças”, em alusão à última ofensiva militar em Gaza.

“Mais de 100.000 pessoas permanecem sem lar devido a estes ataques”, dizia a carta do BDS que foi divulgada pelas redes sociais.

O movimento BDS nasceu na sociedade civil palestina em 2005 como um apelo ao boicote até que Israel “cumpra a lei internacional e os direitos palestinos” e se estendeu nos últimos anos até conseguir o desvio de fundos de consórcios israelenses relacionados com a ocupação ou o boicote a acadêmicos israelenses.

Fonte: Bol.com.br

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