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Líder do Teatro Mágico diz que rock deveria aprender com o sertanejo: "Não dá para depender só de editais"

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Na noite deste sábado, 25, o grupo Teatro Mágico se apresenta no Citibank Hall, em São Paulo. O show faz parte de um projeto no qual a banda convida artistas de vários gêneros para dividir o palco. 

Feito em homenagem ao Clube da Esquina, a apresentação contará com as presenças de Lucas Silveira (Fresno), Dani Black, Tiê e a Banda Mais Bonita da Cidade. 

A ideia surgiu com o Coletivo Rejunte, sarau que Fernando Anitelli, líder do Teatro Mágico, produz para criar intercâmbio entre diversas manifestações artísticas.

— Pensei nesse projeto para shows mesmo. Não tem para baixar ou em CD. A apresentação no Citibank foi pensada para atender a demanda dos fãs, que queriam ver o projeto em um palco e espaço maiores.

Em entrevista exclusiva ao R7, Fernando explica como acontece essa aproximação, analisa a cena musica brasileira e critica a postura segregacionista dos roqueiros brasileiros: “Eles precisam aprender com os sertanejos e com o axé a fortalecer a cena”.

R7 — Qual foi sua ideia ao criar o Coletivo Rejunte?
Fernando Anitelli — A ideia era fazer um sarau mensal e se aproximar de uma galera que pensa parecido com o Teatro Mágico, embora façam sons bem diferentes. Ricardo Herz, Bid, Sambô e Lucas Silveira já apareceram por lá e trocamos muitas experiências. Agora, vamos levar essa proposta para um palco maior.

R7 — Como é conseguir realizar um show numa casa tão grande sendo um artista independente?
Anitelli — Acredito que isso é fruto do nosso trabalho, que está aliado à consciência de não querer ficar restrito ao gueto. Entramos em locais que outros independente não entrariam, mas sem lobby. É resultado da formação de um público, aliado a um espetáculo sempre em transformação e uma musicalidade que estão em constante mudança.

R7 — Como foi se aproximar do Lucas Silveira, músico que você criticou bastante na época da MTV?
Anitelli — Critiquei a banda Fresno por ser sempre a vencedora de prêmios no VMB, assim como o NX Zero. E qual a coincidência entre as duas? Eram empresariadas pela mesma pessoa. Isso demosntra que não existe democracia na imprensa, e não existia na MTV. A emissora favorecia certos escritórios e gravadoras. Mas a cabeça do Lucas mudou. Ele mesmo saiu desse esquema e aprendeu que podia ser autossuficiente e mais politizado. 

R7 — A MTV não teve nenhum papel positivo na música nos anos 90 e 2000?
Anitelli — A MTV acabou por não ter consciência da importância para a divulgação de música no País. Ficou presa a um esquema que não interessava a ninguém e acabou.  

R7 — Como você enxerga a cena independente atual?
Anitelli — As bandas precisam dialogar mais, fortalecer a cena. Os grupos de rock trabalham de forma muito isolada. Veja se o sertanejo e o axé agem assim. Não. Eles se unem para dominar o mercado. O hip hop sabe também que é assim que funciona. Quem não age dessa forma, fica preso ao esquema de editais e shows no SESC. Tem muito rock bom sendo feito por aqui, mas ninguém sabe como agir para ganhar espaço na rádio e na TV. Ficam todos presos ao nicho.

R7 — Você é entusiasta do compartilhamento gratuito de música. Como enxerga a discussão sobre remuneração no streaming?
Anitelli — Acho justo brigar por remuneração digna. Mas para o artista, não para a editora ou para a gravadora. Antes disso, temos que nos unir para esclarecer muitas coisas erradas que acontecem no ECAD também. A instituição não trabalha para o autor e sim para as associações de arrecadação e editoras. Mas música tem que circular, antes de mais nada.

R7 — Mas o Teatro Mágico tem lucro relevante com direitos autorais?
Anitelli — Nem tanto. Mas compensamos com a venda de produtos e discos nos shows. Temos uma linha de objetos personalizados, como canecas, camisetas, além do CD e DVD. Hoje, a música é um cartão de visita que abre porta para coisas maiores.

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Fonte: R7.com

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