Mulheres piscicultoras da Associação de Palmeira Alta, em Penedo, com a mão na massa (no peixe): produção acima da média e comercialização garantida, gerando renda para as donas de casa (Fotos: Raul Plácido)
Mulheres piscicultoras da Associação de Palmeira Alta, em Penedo, com a mão na massa (no peixe): produção acima da média e comercialização garantida, gerando renda para as donas de casa (Fotos: Raul Plácido)

Investimentos do governo fazem de mães da Associação das Piscicultoras de Palmeira Alta modelos de geração de renda no cultivo de peixes.

Criada há 12 anos, a Associação dos Piscicultores de Palmeira Alta, na zona rural de Penedo, formada por donas de casa, mães e mulheres de colonos da Cooperativa Pindorama, descobriu na piscicultura uma alternativa efetiva de oportunidade de negócios e complementação de renda para as famílias que moram na região.

Nos dois primeiros anos, os negócios até que apresentaram uma boa produção e garantiram renda aos associados. Mas, logo em seguida, no ano de 2004, o associativismo foi sendo fragilizado.

Em consequência disso, como explica a presidente da associação, Jailma Vasconcelos, as produtoras tiveram que amargar um processo de dissolução e falência, o que acarretou no acúmulo de dívidas e prejuízos. “Foram dias difíceis para todos nós. O desânimo foi geral e quase fechamos as portas.

Nesse período o lucro para os associados era insignificante e como se não bastasse o montante da dívida crescia a cada ano. Fomos ao fundo do poço e acumulamos uma dívida grande em relação aos nossos negócios”, relembra Jailma.

O que parecia ser um negócio fracassado tomou outro rumo. Em 2009, o governo de Alagoas e o Sebrae implantaram ações de fortalecimento do associativismo cuja finalidade foi traçar metas para que os associados superassem a crise que se abatia na associação.

A associação ganhou capacitação técnica de produção e de venda, ração, tanques-rede, alevinos, barcos, alojamento, freezer, cozinha e ponto de comercialização. Graças essas ações, a capacidade de produção de tilápia atualmente atinge meia tonelada por tanque e a expectativa é de que essa produção ultrapasse as 20 toneladas por ano.

“Isso representa um ganho real para os associados que sobrevivem do pescado, aumentando a renda mensal para as famílias, que hoje chega a R$ 800 mensais. Tinha mês de a gente levar apenas 50 reais de lucro. Hoje as coisas estão bem melhores e acredito que nosso faturamento vai aumentar ainda mais”, completa Jailma.

De acordo com ela, o volume de vendas da associação cresceu tanto, que na última Semana Santa meia tonelada de pescado foi comercializada em toda a região. “Este resultado não seria possível se não fosse o programa Alagoas mais Peixe. Tinhamos apenas 22 tanques-rede e poucos alevinos, hoje temos 63 tanques-rede e volume de alevinos muito maior. Ganhamos freezer, barcos, ração.”

Desde 2009, mais de 400 famílias foram incluídas no Alagoas Mais peixe, e já receberam mais de 800 tanques-rede, 400 toneladas de ração, dois milhões de alevinos para povoamento, oxímetros, kits de análise de água, ferramentas, freezers e mais barcos. Além da capacitação das associações, assistência técnica especializada e apoio à comercialização.

O programa foi reforçado, quando o governo oficializou, no final de abril, um crédito suplementar para a segunda fase do Alagoas mais Peixe, no valor de R$ 1,7 milhão.

Para o secretário de Estado da Pesca e Aquicultura, Antônio Carlos Barros, os resultados que o programa vem obtendo são satisfatórios e um estímulo ao incentivo à aquicultura. “Cada vez mais o associativismo ganha desenvolvimento na sociedade, gerando mais renda para as famílias alagoanas que geralmente viviam apenas do corte da cana ou outras atividades que davam dinheiro temporariamente. A absorção da piscicultura pelos beneficiados mostra quanto o programa é eficiente”.

Os módulos implantados atingem 15 municípios do Estado. E mais cidades serão contempladas até o final de 2014. Os municípios de Teotônio Vilela, Limoeiro de Anadia, Penedo, Boca Da Mata, Anadia, Rio Largo, São Brás, Junqueiro, Igreja Nova, Penedo, Coruripe, Jequiá da Praia, Traipu e Jundiá, alguns com mais de dois cultivos, são atualmente beneficiados.
Segundo Jailma Vasconcelos, o apoio do governo foi fundamental para o momento vivido pelas produtoras. “Sem essa política pública adotada pelo governo e os parceiros que nos ajudaram, como o Sebrae, a Codevasf e Cooperativa Pindorama nada teria acontecido. Cooperação, união e comprometimento formam a receita para o sucesso do módulo”.

Fonte: Agência Alagoas / Mário Lima