Mulher perde sua filha em assassinato cruel e luta para que o assassino não seja condenado à morte


O mais difícil perante um julgamento é o ato de perdoar. Você seria capaz de fazer isso por alguém que tirou a vida da pessoa que mais ama?

No dia 20 de julho de 2013, Shelby Farah trabalhava como vendedora em uma pequena loja de celulares em Jacksonville, na Flórida. Foi nesse dia que James Rhodes entrou no local apontando uma arma para a moça de apenas 20 anos. Exigindo dinheiro, ela imediatamente entregou tudo e manteve as mãos para cima. Mas não foi o suficiente para o rapaz, que disparou quatro vezes contra a moça. Ela morreu no local.

Darlene, mãe de Shelby, ficou mais do que obcecada com a tragédia que sua filha sofreu. Para ela, não houve tempo para o luto, ela tinha que entender o motivo dele ter feito aquilo. Ela chegou a vender o restaurante que tinha e investiu todo o dinheiro que recebeu para contratar um detetive particular. Mas aquela investigação alternaria completamente sua vida.

James Rhodes tinha apenas oito meses quando foi abandonado por sua mãe, que por sua vez era viciada em drogas. Sendo assim, passou a morar com seu pai, alcoólatra, dependente químico e que já havia sido detido diversas vezes. Então, durante seu crescimento, vivia hora com a avó doente, hora com um vizinho. Passava tanta fome que gritava de dor e, aos 5 anos, seu pai perdeu sua guarda. James passou a viver dentro de um orfanato.

Segundo o jornal The New York Times, as autoridades ainda tentaram manter o garoto em contato com seu pai. Porém, o menino se arrumava para esperá-lo o dia inteiro e o pai nunca aparecia. “Ele cresceu em um orfanato e via as outras crianças sendo adotadas, mas ele não. Ninguém o queria, ninguém queria adotá-lo”, conta Darlene.

Quando Rhodes tinha seus 9 anos, foi estuprado por outra criança mais velha que ele e por uma assistente social. Quando ele assassinou Shelby, já possuía uma ficha criminal muito grande, onde havia sido detido e solto três meses atrás.

Para Darlene, “A culpa é das autoridades”, pois, de acordo com ela, “Ele também é uma vítima do sistema. Tenho pena dele”. James possui um QI de 67 pontos, considerado abaixo de “deficiência intelectual”.

Ao descobrir seu passado, Darlene decidiu perdoá-lo. Mas, com base nos antecedentes criminais do acusado, promotores pediram a condenação máxima que é permitida pela Flórida. James Rhodes estava condenado à morte.

Então quando soube da sentença de Rhodes, Darlene já conhecia sua história e decidiu tomar uma atitude completamente diferente da que tinha no início: “Matá-lo não vai trazer minha filha de volta”, conta ela. “Apenas perpetua o ciclo de violência, gerando novas vítimas”, termina, alegando que a pena de morte também é considerada um homicídio.

A moça se convenceu de que a melhor punição para James seria a prisão perpétua. Mas, para os promotores, não havia outra alternativa: Rhodes continuava a ser sentenciado à morte. O caso tomou proporção nacional, onde mais de 32 mil pessoas assinaram uma petição online – criada por Darlene. Lá, havia um simples pedido, que os promotores “abandonasse seu desejo de pedir a pena de morte para o assassino da minha filha e assim permitir que eu e minha família pudéssemos alcançar a paz”.

Ela também chegou a publicar um editorial na revista Time, além de várias entrevistas locais e internacionais. Darlene protagonizou até um documentário e se declarou a favor de Rhodes perante ao tribunal. Mas recebeu diversas críticas dos promotores e de um de seus próprios filhos, que chegou até a sair de casa e ficou três meses sem falar com ela.

Então após de quase 4 anos de julgamento, o veredito final foi concedido. James se declarou culpado pelo assassinato e outros crimes e recebeu duas penas de prisão perpétua e outra com mais de 20 anos de prisão. No julgamento final, Darlene parou para fazer um discurso comovente, a ponto de que Rhodes chorava incessantemente. O juiz foi impôrdo a interromper a audiência para acalmar o réu.

Ela teve a chance de conversar cara a cara com Rhodes antes da sentença e, junto de seus outros dois filhos, mostraram fotos da família para que ele encontre um propósito em sua vida. Hoje, aos 25 anos, James pediu desculpas e agradeceu a família pessoalmente. Darlene chegou a receber uma carta do rapaz quando completou 50 anos e, nela, o rapaz desenhou uma casa com árvores e uma família de mãos dadas. Ele sempre se pergunta como seria sua vida se tivesse uma mãe como ela.

Fotos: Reprodução / CORTESIA WJXT