Estudo sugere que talvez os Smartphones tenham ajudado a destruir uma geração. Veja como:


Em nosso mundo altamente tecnológico, as gerações mais antigas tiveram que integrar smartphones e mídias sociais às suas vidas. Já as gerações mais novas cresceram com eles. Alguns especialistas dizem que os jovens de hoje fizeram parte de um experimento com duração de dez anos para determinar os efeitos da constante conexão tecnológica e social em nossas vidas. Os dados estão aparecendo, e são absolutamente alarmantes.

Segundo o psicólogo Jean M. Twenge em um artigo ao site The Atlantic, as taxas de depressão em adolescentes aumentaram exponencialmente e rapidamente desde 2011, quando o uso do smartphone se tornou mais comum.

Psicologicamente, os adolescentes de hoje são “mais vulneráveis do que a geração Y/ Millenals”, ou seja, aqueles nascidos entre o início dos anos 80 até o início dos anos 90. (A geração Y integrou smartphones em suas vidas, enquanto adolescentes de hoje cresceram com eles).

Segundo Twenge, eles estão “à beira da pior crise de saúde mental em décadas”.

Qual a raiz da causa?

Segundo as pesquisas de Twenge na área da psicologia, em torno de 2012, ele notou mudanças abruptas em comportamentos dos adolescentes e seus estados emocionais. As linhas dos gráficos que eram bem próximas e diferenciavam as gerações mais novas das mais antigas tornaram-se montanhas íngremes e penhascos, e muitas das características distintivas da geração Y começaram a desaparecer. “Em todas as minhas análises de dados das gerações – alguns voltando para a década de 1930 – nunca tinha visto nada parecido”.

“O fascínio pela independência, tão poderoso para as gerações anteriores, mantém menos influência sobre os adolescentes de hoje”.

A maior diferença, de acordo com Twengue, entre os Millennials (Geração Y) e seus predecessores é em como eles vêem o mundo; os adolescentes hoje diferem dos Millennials, não apenas em suas opiniões, mas em como eles utilizam seu tempo. As experiências que eles têm todos os dias são radicalmente diferentes das da geração que surgiu apenas alguns anos antes deles.

Por que os adolescentes de hoje esperam mais tempo para assumir as responsabilidades e os prazeres da idade adulta? Mudanças na economia e as interações entre pais e filhos certamente desempenham um papel nisso. Em uma economia de informação que recompensa o ensino superior mais do que o tempo de trabalho dos tempos antigos, os pais podem encorajar seus filhos a ficarem em casa e a estudar, em vez de conseguir um emprego em tempo parcial. Os adolescentes, por sua vez, parecem estar contentes com esse arranjo de ficarem em casa – não porque sejam tão estudiosos, mas porque sua vida social é vivida no celular. Eles não precisam sair de casa para saírem com seus amigos.

Twenge diz: “A chegada do smartphone mudou radicalmente todos os aspectos da vida dos adolescentes, da natureza de suas interações sociais até a saúde de suas mentes”.

Quanto mais tempo os adolescentes passam olhando para suas telas, mais provável são os relatos de sintomas de depressão.

Alunos da 8ª série, que são usuários fortes de mídias sociais, aumentam o risco de depressão em 27%, enquanto aqueles que praticam esportes, fazem algum tipo de serviço ou até fazem o dever de casa mais do que a média de adolescentes, reduzem significativamente seus riscos.

Isso porque em nossa sociedade atual somos rodeados de grandes distrações, e uma das maiores delas são as redes sociais e smartphones, que nos leva à uma grande passividade quanto à vida. Nós gostamos de ser entretidos; não fazemos coisas divertidas ou nos entretemos através de ações. Somos em grande parte participantes passivos do entretenimento.

Mudar esse padrão é o maior desafio, conforme Twenge. Nosso cérebro tende a querer coisas fáceis, receber coisas fáceis e isso nos impede de pensar conscientemente, buscar desenvolver alguma habilidade, aprender coisas novas ou buscar significado no que fazemos. E o maior problema: estamos perdendo nossas capacidades cognitivas.

Recentemente descobriu-se uma condição chamada “Atenção Parcial Contínua”, na qual crianças que cresceram com a tecnologia digital são mais suscetíveis aos problemas de atenção constantemente dividida do que as gerações mais velhas. Previsivelmente, a neurociência foi chamada. “Como neurocientista cognitiva, estou particularmente preocupada com a difícil capacidade de leitura de um cérebro suscetível a essa sociedade distraída por smartphones e mídias sociais”, escreveu Maryanne Wolf.

O que a história mostra é que as percepções das distrações são aumentadas pelas dificuldades que a sociedade tem ao dar sentido à experiência da vida cotidiana. Paradoxalmente, a transformação da percepção da distração para um problema comum da vida ajuda a distrair a sociedade da tarefa de enfrentar o desafio de encontrar significado em suas próprias realizações.

E no fim, nossa era pode tornar-se uma Era da Distração se a sociedade desejar evitar pensar conscientemente e lidar com as incertezas que enfrenta. [The Atlantic] [Marks Daily] [Independent]



Fonte: Mistérios do Mundo