Sem proposta do partido, ex-funcionários do PT/MS saem de audiência decepcionados


    Juiz (de pé) orienta partes a fazer acordo em audiência Foto: Antônio Marques

    Terminou sem acordo a primeira audiência entre seis ex-funcionários do Partido dos Trabalhadores e a direção da legenda em Mato Grosso do Sul. O encontro ocorreu na manhã desta terça-feira (22), no Núcleo de Acordos da Justiça do Trabalho e foi marcado por bate boca entre as partes.

    Os trabalhadores, demitidos no dia 3 de julho, relataram que saíram da audiência duplamente decepcionados, já que não receberam proposta de pagamento das dívidas trabalhistas e com a grosseria do advogado Ronaldo Franco, que defendeu o PT.

    ”Ele foi grosseiro, não teve respeito. Chegou a dizer que um colega nosso só comia porque atuava no partido. Nos esnobou”, reclamou Vânia Barbosa, que trabalhou por 12 anos na sigla como assistente de organização.

    Barbosa diz que não recebe salários desde março. Além disso, alega que não vai receber o FGTS integralmente pois o partido deixou de recolher o fundo desde 2015. Até o momento, ela conseguiu dar entrada no seguro-desemprego e no fundo de garantia.

    ”Faltam horas extras que nós trabalhamos, inclusive na eleição do próprio Zeca do PT”, observa a militante.

    Não conseguimos contato com a diretora de finanças do PT, Kátia Milhomem. Ele viu nossas perguntas no Whatsapp, mas não deu retorno. No entanto, em conversas anteriores a dirigente contou que já havia explicado aos trabalhadores sobre a situação do partido. Ela acrescentou que os problemas financeiros ocorrem desde o início do ano, ou seja, na gestão do ex-deputado federal Antônio Carlos Biffi  e que a gestão atual, de Zeca do PT, trabalha para por as contas em dia.

    ”Ficamos com muitas dívidas, água, luz e salários”, justificou Milhomem.

    Conforme a defesa dos ex-funcionários, Ronaldo Franco destacou que o partido não tem condições financeiras de propor nada no momento, por estar pagando o parcelamento dos tributos do INSS e o recolhimento do FGTS dos ex-funcionários referente ao período que não foi depositado.

    O advogado teria dito ainda que  o PT só poderia sinalizar para acordo a partir de dezembro, quando o diretório estadual voltará a receber o Fundo Partidário. “A partir daí vamos poder definir que parte do fundo poderemos direcionar para pagamento de um possível acordo”, explicou. 

    O juiz trabalhista Boris Luiz Cardoso explicou que, sem acordo, os processos vão seguir os trâmites normais nas respectivas varas trabalhistas, alguns com audiências marcadas para este ano ainda e outros para início de 2018. No entanto, ponderou que havendo, a qualquer tempo, uma mudança na decisão do Partido, as partes poderiam ser chamadas novamente para uma possível conciliação.

    Não conseguimos contato com o advogado Ronaldo Franco, em seu escritório em Campo Grande.

     


    Fonte: Topmidianews.com.br