Em depoimento sobre caso Wesner, testemunhas reafirmam versão sobre violência em lava-jato


    Mãe de Wesner pede pela prisão de suspeitos Foto: Wesley Ortiz

    Sete pessoas foram ouvidas sobre a morte do adolescente Wesner Moreira da Silva, então com 17 anos, que teria sofrido violência provocada por dois homens em um lava-jato de Campo Grande, com a introdução de uma mangueira de ar comprimido em seu ânus. O caso, de grande repercussão e julgado como homicídio doloso, aconteceu no dia 3 de fevereiro de 2017.

    Ao juiz Carlos Alberto Garcete, 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, prestaram depoimentos familiares da vítima e profissionais de saúde que realizaram os primeiros atendimentos ao jovem. Todos mantêm a mesma versão, confirmada por laudo técnico, mas negada pela defesa dos suspeitos, de que Wesner teve a mangueira inserida em seu ânus, causando ferimentos graves que culminaram em sua morte.

    A mãe do adolescente Marisilva Medeiros, chegou ao local nesta terça-feira (5) já bastante emocionada, ao pedir pela responsabilização dos culpados. “Não consegui dormir esta noite, o coração está na mão, mas acredito que esta vitória é nossa. O que fizeram com ele foi cruel, tiraram um pedaço de mim, agora espero que a justiça seja feita, era um desejo que ele pediu no hospital antes de falecer”, desabafou.

    Profissionais que o atenderam no CRS (Centro Regional de Saúde) do Tiradentes, entre eles a assistente social Tania Mara Marques e o técnico em enfermagem Maurício Franco Fonseca, dizem que Wesner chegou ao local já bastante inchado e debilitado, dizendo que haviam enfiado a mangueira nele.

    A versão é contestada pela defesa, que nega que tenha havido violência intencional, já que a vítima chegou a declarar à polícia uma versão diferente. Mãe, irmão e três primos ouvidos afirmam que o familiar teria o feito por constrangimento, receio de ser alvo de piadas sobre sua sexualidade.

    Na mesma sala onde aconteciam os depoimentos, os suspeitos Thiago Geovanni Demarco Sena 20 anos, proprietário do Lava Jato, e o funcionário Willian Larrea, 31, ficaram em silêncio. Antes de Luciano Gonçalves da Silva, irmão de Wesner, falar ao juiz, os suspeitos pediram para serem retirados da sala. Na época do crime, os dois alegam terem sido agredidos por ele, que os responsabilizava pelo fato.

    Advogado de ambos, Francisco Guedes declarou que vai pedir imagens da câmera de segurança do posto de saúde na chegada dos três. O advogado da família vai solicitar o juiz ouça um técnico especialista no funcionamento do mesmo tipo de mangueira utilizada no lava-jato.

    Mais três pessoas estão confirmadas para prestar depoimento, outra assistente social e um médico do CRS,  além de um médico legista. As testemunhas devem ser ouvidas em outubro 


    Fonte: Topmidianews.com.br