Em tempos de crise, atriz oferece poesia e buquê de chocolate pelas ruas da Capital


    Foto: Arquivo pessoal

    As lembranças da convivência em um ambiente totalmente poético durante a infância e as dificuldades encontradas pela atriz Ângela Montealvão, 25 anos, ao se dedicar à cultura na Capital deram vida a personagem Florista, que percorre as ruas da cidade oferecendo poesia acompanhada de um buquê de rosas de chocolate.

    A atriz afirmou ao TopMídiaNews que percorre as ruas oferecendo a arte e busca analisar, mesmo que em pouco tempo, o perfil da pessoa que aceita ouvir a poesia para declamar e vender os buquês. “Sempre tive referência das poesias, tanto no meu trabalho como atriz como na infância, minha mãe sempre colocava a gente para recitar poesias, essa questão sempre foi bem próxima de mim, tanto na parte afetiva, como no trabalho. Aliando essa proximidade com a poesia e a necessidade de novos meios de manutenção, me veio a ideia de criar a florista, o buquê faz parte de ação dessa personagem criada”.

    Ângela criou o figurino da nova personagem e, com o apoio do esposo, Vitor Hugo Samúdio, conseguiu produzir mais encomendas. “A Florista sou eu, com figurino próprio  no qual eu carrego as flores confeccionadas artesanalmente, acompanhadas de um bombom. O miolo dela é chocolate e saio pelos bares da cidade, eventos e atendo encomendas. Não vendo a rosa,  vendo a declamação da poesia, a rosa fica como brinde. O Vitor, meu esposo, fez alguns contatos e agilizou algumas apresentações. Antes saia de bar em bar, aí com a produção do Vitor consegui algumas encomendas, para casais, empresas que solicitaram essa intervenção. De intervenção individual, igualmente tem possibilidade de intervenção para grupos”.

    No primeiro contato com as pessoas pelas ruas, a artista pergunta se o cliente tem interesse em ouvir a declamação de uma poesia. “Em mãos dessas flores com bombons abordo as pessoas na rua com o seguinte texto: Plantei sementes que pudessem salvar o mundo, não salvei o mundo, mas me nasceram essas rosas que são acompanhadas da declamação de uma poesia, ah aí sim, a poesia, a arte, essas sim podem salvar o mundo. Você  aceitaria está rosa acompanhada de uma declamação de uma poesia?”.

    Ângela é formada em licenciatura de artes cênicas, teatro e dança  e atualmente faz parte do grupo Gente Companhia de Teatro. Questionada sobre a real situação da cultura em Campo Grande, a atriz relembra que o setor enfrenta diversas dificuldades, inclusive o acesso aos teatros para oferecer peças teatrais.

    “Campo Grande atualmente está sem teatro, no sentido de prédio, espaço físico, estamos sem. O teatro Aracy Balabanian está interditado e outros teatros não oferecem espaço facilitado ao artista. O  Glauce Rocha tem taxa de locação, ao contrário do Aracy, que fazia contrato de porcentagem de bilheteria, isso possibilitava abrir temporada sem cachê fixo. Abrir com teatro cobrando é simples, mas em tempos escassos, não temos essa realidade, como o Aracy está interditado, fica muito difícil para os artistas abrirem temporada no risco, com a possibilidade de adquirir mais dívidas, porque a locação não é barata”.

    De acordo com Ângela, a Florista é uma tentativa de distribuir poesia pelas ruas, através da beleza das rosas. “O momento é escasso para as políticas públicas culturais, a Florista é essa tentativa de manutenção da arte através do trabalho formiguinha mesmo, de mesa em mesa, de público em público, a qual cada um pode financiar uma pequena parcela dessa continuidade do meu trabalho de atriz. igualmente um momento muito poético, muitos ficam extremamente emocionados, com textos escolhidos a dedo, tento fazer analise da situação da pessoa, para ver qual poesia mais a pessoa gostaria de escutar, então é abordagem artística, com a doçura do bombom, a beleza das rosas, que está pelas noites levando poesia para a vida noturna de Campo Grande”.


    Fonte: Topmidianews.com.br