Equipe de Tite dominou ações ofensivas, Neymar conseguiu criar uma boa chance para Paulinho… mas é preciso melhorar

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A ausência de gols e emoção pode não ter agradado, mas o teste da Seleção Brasileira contra a Inglaterra foi de extrema importância. Independentemente do resultado.

Já era de se esperar um jogo duro, afinal de contas os ingleses terminaram a segura campanha nas Eliminatórias Europeias como time menos vazado (ao lado da Espanha), com três gols sofridos em dez partidas.

Mas além disso que estivesse desfalcada de oito jogadores, incluindo o artilheiro Harry Kane e o excelente meia-atacante Dele Alli, Gareth Southgate demonstrou que o seu time tem uma identidade solidificada – algo que carecia ao time dos Três Leões nos últimos anos.

A equipe de Tite igualmente tem a sua característica: as transições rápidas e infiltrações entre as defesas adversárias. Isso não funcionou contra os ingleses: boa parte disso por causa do esquema adversário, com cinco jogadores na primeira linha defensiva. Os alas Kyle Walker e Ryan Bertrand voltavam para fechar os espaços, deixando os ingleses em um 5-3-2 que dificultava ao máximo as chegadas ao ataque do Brasil.

GFX Inglaterra vs Brasil 14 11 2017 O 5-3-2 dos ingleses em Wembley (Foto: Opta Sports)
GFX Inglaterra vs Brasil 14 11 2017 Brasil: laterais avançados, Casemiro recuado para equilibrar (Foto: Opta Sports)

Para levar mais perigo, o jeito foi equilibrar a batalha pela superioridade numérica nos setores: Dani Alves e Marcelo precisariam aparecer mais no ataque do que nunca. Os laterais foram os jogadores que mais distribuíram passes, e o camisa 6 até conseguiu criar algumas oportunidades para seus companheiros [três passes para finalizações, menos apenas do que Neymar]. Mas em uma partida contra um adversário tão eficiente na defesa, o toque simples não resolvia: faltava o toque diferencial.

GFX Neymar Inglaterra

Neymar atuou de maneira mais semelhante ao que tem feito no PSG: não se prendeu tanto pela esquerda. Centralizou mais as suas jogadas, aproveitando que por ali encontrava um espaço ligeiramente maior para furar o bloqueio inglês. Foi assim que encontrou Paulinho, já na parte final do jogo, em boa condição. O meio-campista do Barcelona, melhor em campo pelo Brasil, chutou em cima de Joe Hart, na única finalização certa dentre as suas cinco tentativas – mais do que qualquer outro em campo.

A outra grande oportunidade do Brasil veio com Fernandinho, que entrou no lugar de Renato Augusto para se mostrar uma excelente alternativa mesmo na presença de Casemiro – que atuou mais próximo dos zagueiros canarinhos, para equilibrar os avanços de Marcelo e Dani Alves, e deu grande segurança defensiva. Jogador que sabe chegar ao ataque levando perigo, a sua finalização de longe, após pegar os ingleses no contrapé enquanto saíam para o jogo, triscou a trave de Joe Hart. Fosse gol, Fernandinho quebraria o esquema de Southgate.

GFX Paulinho Inglaterra

O Brasil poderia ter feito um jogo melhor, mas o saldo é positivo pelo recado que vem após o empate.  A Copa do Mundo vai contar com diversas equipes que entrarão fechadas contra o time de Tite, muitas delas utilizando três zagueiros e a linha defensiva com cinco no total. Foi um alerta: precisa melhorar, abraçar a qualidade do drible para abrir espaços e chamar faltas. Entender melhor o momento de infiltrar nas linhas adversárias para aproveitar o passe que corta defesas.

Sem Kane e Dele Alli, o teste para o sistema defensivo canarinho foi menor do que poderia ser. Por isso o foco no ataque. Se o ditado popular diz que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, os brasileiros precisam otimizar mais as investidas que virão contra as pedras no caminho. A vontade, todos demonstraram hoje. O toque de habilidade sabemos que existe, mas as ondas de ataque precisam estar mais afiadas. De qualquer maneira, é um grande exemplo a ser trabalhado até o Mundial.



Fonte: Goal.com