Confira matéria da Revista Carta Capital sobre a criação do Museu do Rio São Francisco em Penedo.
Por Jotabê Medeiros

A biblioteca vem somar-se ao projeto integral do Museu do Rio São Francisco, cujo acervo será instalado no outro lado da Rua João Pessoa, em um outro casarão, o Chalé dos Loureiros, normando também do século XIX com obras de restauro previstas para ser concluídas em setembro. O casarão que em tempos áureos chegou a hospedar o presidente Getúlio Vargas em visita oficial à cidade, é mito semelhante à Casa do Cosme Velho que pertenceu a Machado de Assis (e o que o Rio não soube preservar).
O restauro do casarão principal do conjunto, obra bancada pelo BNDES e acompanhada pelo Iphan e pelo Governo de Alagoas, revelou um interessante legado de arte do período em que foi construído. As grades de ferro fundido foram improtadas de Glasgow, na Escócia. E os restauradores descobriram uma sérue de pinturas parietais atribuídas a um artista de origem italiana, identificado como Breda. São paisagens típicas europeias, sem a luz e a euforia dos tópicos, que o presidente da Fundação Casa do Penedo, Francisco Sales, considera influencadas pelo mestre Rosalvo Ribeiro (pintor alagoano e bolsista do imperador Pedro UU que estagiou em Paris no mesmo ateliê em que estudou Taarsila do Amaral).
O Museu do Rio São Francisco teve seu projeto inicial aprovado pelo Ministério da Cultura em 2005, com valor estimado em 2,5 milhões de reais. No ano seguinte foi firmado um contrato de colaboração financeira com o NDES. O início das obras, contudo, só ocorrreu em fevereiro de 2010, após aprovação do projeto pelo Iphan. A partir daí iniciou-se o restauro, e a obra total foi estimada em 6,7 milhões de reais.
Toda a biblioteca brasiliana que está sendo doada ao projeto pertencia a seu principal artífice, o médico penedense Francisco Sales, qe toca o projeto sozinho há 26 anos.
“É o homem se antecipando ao Estado”, brinca.
Ele comprou os sobrados com recursos próprios e coletou o acervo ao longo da vida. Aguarda ansiosos a visita de técnicos do BNDES para vistoriar as obras do centro de referência.
“A ideia é que constituía efetivamente em um museu nacional, pois hasteará as cinco bandeiras dos estados que compõem o Alto, O Médio e o baixo São Francisco: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas”, celebra.
Por Jotabê Medeiros
Revista Carta Capital


