Em meio às atividades de educação ambiental que a Fiscalização Preventiva e Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (FPI do São Francisco) desenvolve em sua oitava etapa, a Escola Municipal Professora Maria da Glória Pimenteira, do Povoado Ponto Mofina, em Penedo, ganhou, nesta terça-feira (13), uma fossa agroecológica, que também pode ser chamada de bacia de evapotranspiração.

Com o objetivo de dar um descarte adequado aos efluentes, a tecnologia ambiental sustentável substituirá uma fossa séptica antiga da unidade de ensino, que estava prestes a ter infiltrações no solo e a poluir o meio ambiente. Uma segunda fossa agroecológica foi construída na Área de Proteção Ambiental (APA) da Marituba do Peixe, também em Penedo.

O coordenador da Equipe de Educação Ambiental, Pedro Normande, aponta a fossa agroecológica como uma solução barata para o esgoto de residências e escolas. Segundo ele, sua construção é bem simples. Usa-se cimento, areia, tela de galinheiro, pneus usados e tubulação de esgoto, reaproveitando entulhos e o próprio solo escavado.

“Desde a escavação, já existe a preocupação com o processo pedagógico para a reprodução da técnica pela comunidade. A conclusão ocorre com o fechamento da fossa. A tampa dela é o próprio solo no qual plantamos algumas espécies que têm grande poder de transpiração. Assim, garantimos o fenômeno da evapotranspiração, deixando o solo descontaminado. Por sobre a fossa, a comunidade pode plantar Bananeira, Mamoeiro, Capim-Santo e outras plantas”, explicou Normande, que é consultor ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL).

Também servidor do órgão estadual, Meraldo Rocha estima que a bacia de evapotranspiração pode ficar cerca de 30 anos sem manutenção. “A sua grande vantagem é transformar problema em solução. O que antes infiltrava no solo e contaminava o lençol freático passa agora a ser otimizado e a desenvolver uma cultura, produzindo frutos”, acrescentou o consultor ambiental, que aposta na tecnologia para ajudar as zonas rurais dos municípios, geralmente carente de esgotamento sanitário e de mão-de-obra qualificada para construção de fossas sépticas.

Diretora da escola municipal, Elineusa Moreira comemorou a iniciativa: “Achei interessante a vinda do pessoal do IMA com essa proposta de fossa agroecológica, mostrando o quanto ela é importante para a preservação do meio ambiente. Também gostei que o Ministério Público [do Estado de Alagoas] veio para nossa escola passar informações aos nossos alunos. Eu acredito que seja um meio de multiplicar esse conhecimento para os pais”, disse a gestora, referindo-se ao momento de encontro dos promotores de Justiça Lavínia Fragoso e Alberto Fonseca com os estudantes.

A construção da fossa agroecológica é uma das novidades que a equipe de Educação Ambiental trouxe para a oitava edição da FPI do São Francisco.

Plantio de mudas

A equipe de Educação Ambiental também realizou mais cedo o plantio de 200 mudas na APA da Marituba, em Penedo. São unidades de Ipê Amarelo, Peroba Rosa, Canafístula, Pau Brasil, Cabo de Facão e Ingazeira que vão embelezar ainda mais o lugar. Gestores e servidores públicos da Prefeitura do Município participaram da atividade.

O secretário de Meio Ambiente de Penedo, Paulo Freire, valorizou o trabalho conjunto entre a Prefeitura e os órgãos públicos que integram a FPI do São Francisco: “É importante essa capacitação que os funcionários da prefeitura estão tendo para que o município possa, em seguida, manter o trabalho. Andar com as próprias pernas”, disse o gestor, referindo-se à educação e preservação ambiental.

Coordenadora da FPI do São Francisco, a promotora de Justiça Lavínia Fragoso incentiva a Prefeitura a exercer suas atribuições na gestão ambiental, sem esperar apenas pelos órgãos de defesa do meio ambiente.

“Essa parceria entre a Prefeitura e o IMA é importante para que o Município cumpra o seu papel de protagonista na fiscalização em áreas de preservação. É um projeto piloto e deve incentivar as crianças a preservar o meio ambiente”, ressaltou a representante do Ministério Público do Estado de Alagoas.

A base da APA da Marituba, onde as mudas foram plantadas, deve se tornar um centro de visitação para estudantes, fomentando a preservação do meio ambiente.

Assessoria FPI