Pais que pediram dinheiro para tratamento do filho e torraram a quantia com viagens e bens de luxo são alvo de operação da polícia. “Apreendemos muito luxo da parte deles, até mesmo uma arma de brinquedo que ele usava para intimidar as pessoas que questionavam a lisura da campanha”

Renato e Aline Openkoski doações para filho

Renato e Aline Openkoski

A PC apreendeu, nesta quinta-feira (1), diversos bens de luxo do casal Renato e Aline Openkoski, pais do bebê Jonatas. A operação ocorreu em Joinville (SC) e cumpriu mandado judicial de busca e apreensão.

O casal, que era pobre e não tinha fonte de renda alguma, converteu parte dos milhões de reais arrecadados para o tratamento do filho em viagens e bens de luxo (veja igualmente aqui).

Segundo a polícia, foram apreendidos um carro avaliado em R$ 140 mil e uma TV de 50 polegadas avaliada em R$ 6 mil, além de muitos outros itens.

“Apreendemos o carro, uma moto, muito luxo da parte deles, muita documentação de gastos excessivos, alianças, relógios, nota de compras na Colcci de 4 000 reais, perfumes, maquiagens, além de vários objetos que foram doados durante a campanha de arrecadação de recursos para serem leiloados ou rifados e nunca foram”, declarou a delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso.

Agressividade

além disso em consonância com a delegada, havia dez pessoas na casa no momento da operação e Renato recebeu os policiais com agressividade.

“Eles ficaram assustados e o Renato foi o que reagiu com mais agressividade, ficou batendo no peito que o dinheiro era dele, que ele não roubou nada. Precisamos até fazer uma contenção”, relata.

“Apreendemos igualmente uma arma de brinquedo que ele [Renato] teria usado para fazer fotos e intimidar as pessoas que estavam questionando a lisura da campanha”, declarou a delegada, que disse ter ouvido ao menos quatro pessoas que foram ameaçadas por questionar o uso do dinheiro.

Todos os objetos apreendidos agora ficam sob a tutela da Justiça até que a investigação seja concluída. “Essa foi uma primeira etapa de apreensão de objetos de interesse da investigação, uma vez que há indícios de que foram adquiridos por meio do dinheiro da doação”, declarou a delegada.

Entenda o caso

Ao saber da grave condição de saúde do filho, Renato e Aline descobriram que os Estados Unidos haviam acabado de aprovar uma medicação revolucionária (Spinraza) que promete estabilizar a doença e até mesmo recuperar movimentos perdidos em alguns casos.

O contratempo era o custo da medicação: 350 mil reais por ampola – são necessárias pelo menos seis aplicações nos dois primeiros meses de tratamento e uma aplicação a cada quatro meses em caráter de manutenção.

Era preciso arrecadar pelo menos 3 milhões de reais — e a família iniciou então uma campanha que extrapolou as barreiras do município e chegou até uma comunidade de brasileiros nos EUA, que arrecadaram cerca de 40 mil dólares para ajudar no tratamento do menino.

Os pais criaram uma em sua fan page e outra no Instagram e fizeram rifas, bazares, pedágios, leilões, venda de camisetas, além de receberem doações voluntárias.

Algumas celebridades abraçaram a causa e compartilharam em suas redes sociais o caso do menino Jonatas – entre eles os atores Danielle Winits e André Gonçalves, que doaram integralmente o cachê que receberiam por uma peça de teatro em Florianópolis, além das apresentadoras Ana Hickmann e Eliana, que igualmente divulgaram o caso.

Em pouco mais de dois meses, as doações atingiram a meta. Menos de um mês depois, em maio do ano passado, a soma ultrapassava os 4 milhões de reais.

Nessa época o bebê continuava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital infantil de Joinville lutando para se restabelecer de uma pneumonia e diversas complicações de saúde associadas à doença.

Os desvios

A desconfiança dos doadores de que o dinheiro estaria sendo mal administrado pelos pais começou no meio do ano, após a divulgação de que a meta de 3 milhões havia sido alcançada e o remédio do menino além disso não havia sido comprado.

A a droga é fabricada nos EUA e precisa ser importada, procedimento que demora pelo menos uns 40 dias. Segundo Renato, o atraso aconteceu porque Jonatas estava internado e não tinha condições clínicas de receber a medicação.

Depois, os pais se mudaram de uma casa simples para uma outra muito maior e compraram um carro avaliado em 140 mil. A mudança repentina no padrão de vida chamou a atenção dos doadores, já que a família era de origem simples: antes do diagnóstico Renato trabalhava como palestrante religioso e Aline era estudante.

Além disso, segundo a promotora de Justiça Aline Boschi Moreira, em uma audiência judicial realizada em outubro passado, havia sido acordado que o casal prestaria conta dos recursos arrecadados e das despesas efetuadas, sendo o valor depositado em uma conta judicial. No entanto, isso nunca foi feito.

A gota d’água aconteceu no final do ano, quando Renato e Aline foram passar o Ano-Novo em Fernando de Noronha, um dos destinos turísticos mais caros do país, deixando Jonatas em casa, sob os cuidados dos avós paternos. O casal postou várias fotos da viagem na internet, inclusive com celebridades como Neymar, Bruno Gagliasso e Paula Fernandes.

A viagem chamou a atenção dos doadores, que criaram uma em sua fan page chamando o casal de fraude e levaram o caso ao Ministério Público. Em 16 de janeiro a Justiça determinou o bloqueio das três contas do casal.

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Fonte: Pragmatismo Político