The Walking Dead | Mesmo após evento traumático, Rick e Negan seguem cometendo os mesmos erros | Artigo


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Lidar com o luto nunca foi exatamente uma tarefa fácil para Rick Grimes (Andrew Lincoln) em The Walking Dead. Se na terceira temporada o ex-xerife sofreu sérios desequilíbrios psicológicos após a morte de Lori (Sarah Wayne Callies), a despedida do filho mais velho faz com que ele siga o caminho da negação. “The Lost and the Plunderers”, décimo episódio da oitava temporada, acompanha os eventos imediatos à perda de Carl (Chandler Riggs), trazendo Michonne (Danai Gurira) como elemento-chave para, mais à frente, Rick encontrar o caminho certo. Em paralelo a isso, várias novas cartas foram apresentadas e os traumas vivenciados por vários dos personagens deverão ter reflexos expressivos no futuro da trama.

além disso que grande parte do episódio tenha sido dedicada a mostrar que não vai ser tão fácil para Rick assimilar as últimas palavras do filho, grande parte dos avanços na trama ocorreram em função de Jadis (Pollyanna McIntosh) e Simon (Steven Ogg). Apesar de durante muito tempo os dois terem sido negligenciados pela narrativa, ambos estiveram em extremos opostos de uma situação limite e, ao que tudo indica, grandes coisas parecem estar reservadas para eles na série.

Um dos motivos disso é que, apesar de Rick insistir no discurso de que precisa matar Negan (Jeffrey Dean Morgan) custe o que custar, o avançar da narrativa já deixou bem claro que a jornada do protagonista da série nesse momento gira em torno de entender a ideia do perdão e exercê-lo. Carl, como suas cartas e seus últimos discursos deixaram bem claros, gostaria de ver os dois líderes locais coexistindo de forma pacífica e é muito provável para que a série caminhe para um cenário em que os conflitos passarão a ser resolvidos com menos bombas e tacos de baseball revestidos de arame farpado – quer dizer, os dias de vilão de Negan parecem estar com os dias contados, independente de como isso aconteça.

Ao que tudo indica, o caminho do próximo vilão em The Walking Dead começou a ser pavimentado de fato em “The Lost and the Plunderers”. Ao contrário de Negan, que realmente acredita que há nobreza na forma problemática como atua em relação aos demais sobreviventes, Simon, seu braço direito, é o sujeito sádico que até o momento foi necessário para que as ações mais duras dos Salvadores fossem de fato executadas. O contratempo é que as coisas parecem estar começando a sair de controle: Simon está mais inclinado a responder aos próprios instintos sanguinários do que a seguir a liderança de Negan. Se o segundo no comando dos Salvadores não for parado em breve, há potencial para que, no futuro, ele cause problemas dentro e fora do Santuário.

Assim como Simon, Jadis igualmente vivenciou experiências que mudarão a forma como ela se posiciona na trama. A líder do lixão vê todos os seus seguidores serem massacrados pelo general de Negan e isso por si só é o suficiente para abalar o psicológico da controversa personagem. Contudo, a gota d’água para a tragédia dela é ser abandonada sozinha por Rick e Michonne, que foram atrás dela para pedir ajuda, mas, após verem que o grupo dela não era mais útil, a largaram para trás. Massacrada por um lado e desprezada pelo outro, Jadis provavelmente terá desenvolvido óticas além disso mais duras sobre o mundo ao seu redor e, caso ela consiga se reerguer, certamente será um contratempo tanto para Rick quanto para Negan.

O episódio deu destaque além disso a outra dupla de coadjuvante até então mal aproveitados na série e que poderão crescer nos próximos capítulos da trama. Em uma missão junto às mulheres de Oceanside, Enid (Katelyn Nacon) e Aaron (Ross Marquand) mostraram uma ótima química – algo que será necessário para fazer com que ambos sigam na ativa, já que os dois perderam recentemente as pessoas que mais amavam. Oceanside, por outro lado, continuou sem dizer muito a que veio, mas é provável que, mais adiante, o grupo volte a aparecer, principalmente após Enid vomitar algumas verdades para Cyndie (Sydney Park).

O mais curioso do episódio, entretanto, foi o espelhamento entre as ações de Rick com Siddiq (Avi Nash) e, posteriormente, com Jadis – a diferença é que, dessa vez, Carl não está ali para tentar resolver e as consequências disso poderão ser devastadoras após o fim do arco Guerra Total. Talvez o filho de Rick além disso estivesse vivo se o ex-xerife não tivesse expulsado o viajante solitário do posto de gasolina com tiros para o alto e, certamente, ter agido da mesma forma com Jadis renderá frutos amargos para o protagonista. Como tudo em The Walking Dead, Rick precisará além disso de algum tempo para mudar seu ponto de vista e iniciar a caminhada que culminará em um cenário momentâneo de paz. Michonne, ao contrário de Rick, cego pelo desejo de vingança, está mais aberta a entender as últimas palavras de Carl e isso será relevante para que a morte do rapaz não tenha acontecido em vão.

O próximo episódio vai ao ar em 11 de março. No Brasil, o canal pago Fox se encarrega da transmissão do seriado.

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Fonte: Omelete