SÃO PAULO  –  O governo do presidente argentino, Mauricio Macri, enfrentará na quinta-feira (14) uma greve convocada por caminhoneiros e professores, com apoio das centrais sindicais CTA dos Trabalhadores e CTA Autônoma.

A mobilização não prevê o bloqueio de estradas e vias de acesso à capital Buenos Aires – como caminhoneiros autônomos fizeram na semana passada. A greve, de caráter mais simbólico, não deverá ter grande impacto sobre a atividade econômica, afirmam analistas. Os manifestantes deverão realizar um ato às 16h, na Praça de Maio.

“Estamos protestando contra o reajuste das tarifas e contra o acordo com o FMI [Fundo Monetário Internacional]. Também pedimos reajustes salariais de 27%, com direito a revisão caso a inflação supere isso”, afirma Pablo Micheli, da CTA dos Trabalhadores.

“O governo só toma medidas para piorar e não melhorar a economia. Com o acordo com o fundo, o que nos espera é mais pobreza e poder aquisitivo ainda menor”, afirmou.

Na terça-feira (12), Pablo Moyano, secretário-geral do Sindicato dos Caminhoneiros, classificou o ato previsto para quinta-feira como “jornada de luta contra o ajuste” que vem sendo promovido por Macri e se disse disposto a convocar uma greve de 48 horas na próxima semana, caso o governo resolva não negociar.

Impacto reduzido 

 Para Pablo Knopoff, do Instituto Isonomía, em Buenos Aires, a greve terá baixa visibilidade: “Não creio que terá força, porque não haverá bloqueio de estradas. Além disso, acontecerá no dia seguinte à votação da legalização do aborto na Câmara dos Deputados, tema que dominará o debate.”

Knopoff afirma ainda que um dia de greve é insuficiente para causar estragos importantes à economia argentina. “Os caminhões transportam alimentos, combustíveis e dinheiro. Para começar a haver escassez desses produtos são necessários ao menos três dias de greve”, argumenta.

Thomaz Favaro, diretor da consultoria Control Risks, também afirma que a greve terá impacto reduzido e que o grande teste para o governo Macri será com a greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) para o dia 25. “É importante, mas será uma fração do que se espera para o dia 25, quando várias categorias estarão mobilizadas”, diz.

Moyano afirmou que se juntará à CGT no dia 25. Michelli disse que se o governo não chamar as centrais para dialogar, a CTA dos Trabalhadores também se juntará à greve geral.



Fonte: Valor Econômico