São Paulo se tornou uma cidade mais democrática, aberta e inclusiva desde que, em outubro de 2015, apostou no Programa Ruas Abertas para celebrar a diversidade de sua essência. Celebra na convivência, e na arte do encontro, sua vocação cosmopolita.

Apesar disso, três anos depois, um novo impasse se impõe à realidade dos domingos na Avenida Paulista, que, com um público cada vez maior, se depara com a necessidade de criar uma nova regulamentação para a participação de músicos na região.

Segundo informações do jornal “O Estado de S. Paulo”, a prefeitura deve restringir o número de pontos de apresentação e pedirá o cadastramento prévio dos interessados.

Créditos: Fernando Podolski/iStock

Paulista Aberta recebe, em média, cerca de 100 mil visitantes aos domingos

A mudança visa mediar os atritos causados pelas apresentações que, devido ao grande número de artistas, motivaram reclamações dos moradores e frequentadores da via de lazer. “É uma demanda que vem deles (os músicos) também. A ideia é fechar um consenso dos pontos em que vamos permitir, avisar os músicos que eles têm de se credenciar antes”, destacou prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, que vai apresentar a proposta ao conselho gestor do Paulista Aberta nesta terça-feira, 26, na sede da prefeitura.

Moradores estudam propôr fim do programa Paulista Aberta (E nós rejeitamos a proposta) 

Em meio às inúmeras polêmicas que envolveram o projeto ao longo dos três últimos anos, como o bloqueamento de acesso aos hospitais da região – questão descartada após estudos – Célia Marcondes, presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César, disse ao “Estado” que associações da região estudam propor à prefeitura a transferência do programa para o Vale do Anhangabaú, acabando, assim, com a Paulista Aberta. “O mínimo que se espera é que alguém coloque ordem.”

Discordamos de Clélia: em nossa missão de encontrar possibilidades acessíveis, inclusivas e de qualidade, em todas as áreas da atividade humana, entendemos o projeto Paulista Aberta como uma das mais importantes expressões da pluralidade cultural exercida em São Paulo.

Que, mesmo diante de todos os muros e “da dura poesia concreta das tuas esquinas”, aprende a se reinventar e ocupar as ruas de forma inovadora e criativa, cumprindo de forma inspiradora o papel democrático indispensável à maior cidade da América do Sul.

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Fonte: Catraca Livre