Eleito senador por AL com a maioria dos votos, ele decidiu se manter neutro na campanha para presidente do Brasil neste segundo turno.

Um post no Facebook parece que desconstruiu toda a simpatia do eleitorado alagoano para com o recém eleito senador, Rodrigo Cunha do PSDB. Na rede social, o político publicou um texto no dia 16 de outubro intitulado ‘Carta aberta aos alagoanos e brasileiros’. Nesse post Rodrigo afirmou a convivência harmônica entre o respeito à diversidade e também preservação da individualidade. Ele ressaltou não concordar com a linha de pensamento propagadora do extremismo.

Nesse conteúdo muitos dos seus eleitores teceram duras críticas quanto ao posicionamento do ‘tucano’, principalmente por, segundo alguns seguidores, afirmarem que o mesmo dava conotações de apoio a Jair Bolsonaro (PSL) e também por se dizer um candidato anti-corrupção. Com este texto publicado ficou evidente que Rodrigo prefere se manter neutro a candidatura tanto de Fernando Haddad como de Jair Bolsonaro.

” Infelizmente vc esta revelando o seu caráter oportunista. Caso vc tivesse adotado essa postura dificilmente vc teria sido eleito. Faça um pedido de desculpa pública as pessoas que votaram em vc. A meu ver o seu mérito na votação recebida não chega a chega a 1/3 dos votos recebidos e os outros 2/3 foram de pessoas indignadas com os maus políticos. Lembre-se emprestamos o nosso voto a vc , como não podemos pegar de volta agora,pegaremos na próxima oportunidade Rodrigo nunca mais”  disse uma seguidora.

 Que vergonha… Se aproveitou do 17 no primeiro turno, ganhou muitos votos em cima disso e agora faz isso? afirmou outra usuária da rede social em um comentário.

“No momento mais decisivo da história brasileira, em que um mal terrível ameaça se abater sobre a nação, Vossa Excelência prefere se isentar, permanecer em cima do muro e tratar os dois projetos em disputa como similares. Triste fim, Cunha.” afirmou outro suposto eleitor.

É importante ressaltar que no primeiro turno Rodrigo Cunha apoiou o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Mesmo sendo visto em uma carreata pró-Bolsonaro em 30/09 na capital alagoana, a assessoria do então candidato afirmou que Rodrigo estava participando de uma campanha de JHC quando encontrou, por acaso, uma caminhada do candidato do PSL. Muitos acreditavam que ele apoiava Bolsonaro, porém isso nunca foi confirmado, pelo contrário desmentido.

Mas também teve pessoas que entenderam seu posicionamento:

“Muitos falam em respeitar suas escolhas, mas não respeitam a escolha alheia. Eu hein, cada um faz o que achar melhor pronto, e, nem sempre as escolhas irão coincidir 👏👊 Destilar o ódio não mudará o voto de ninguém.” disse uma seguidora.

“Parabéns pela sensatez, Rodrigo Cunha!! Continue defendendo seus princípios e não se rebaixe ao ódio. Apoio 100%. Votarei no B17 por falta de opção.” afirmou um eleitor

Sua postagem no Facebook já obteve cerca de 1,6 mil comentários e mais de 200 compartilhamentos, até o fechamento desta matéria. Ainda não se sabe se depois dessa repercussão Rodrigo Cunha deverá apoiar algum candidato a presidente ou se manterá nesta neutralidade.

Confira aqui o texto na íntegra de Rodrigo Cunha:

Carta aberta aos alagoanos e brasileiros

A política tem como função central gerar bem-estar e liberdade para as pessoas e não pode ser instrumento de propagação de guerras ideológicas desarrazoadas. 
Devemos buscar incessantemente a convivência harmônica entre o respeito à diversidade e a preservação da individualidade; entre a busca da liberdade e a construção da igualdade e entre o desenvolvimento econômico e a assistência social.
Infelizmente, a polarização política no Brasil ganhou contornos insustentáveis e aponta para a necessidade urgente de um agir comunicativo inovador e que promova pontes entre os cidadãos brasileiros.
Do lado do espectro ideológico à direita, vemos uma candidatura apoiada em discursos que se aproveitam da insatisfação da população para propor medidas extremistas que fragilizam a democracia.
Como todos sabem, fui vítima da violência, mas nem por isso me associei a uma linha de pensamento propagadora do extremismo como instrumento de pacificação e como meio ameaçador da convivência plural entre os mais diversos segmentos da sociedade.
De outro lado do espectro ideológico mais à esquerda, vemos uma candidatura que não conseguiu aglutinar as forças progressistas e democráticas do Brasil a qual insiste em rotas políticas viciadas e em não reconhecer erros partidários históricos.
Quero ser o Senador do diálogo e da mediação política. Quero ser o Senador que colabore decisivamente para o Brasil recuperar um centro político propositivo, construtor de políticas públicas progressistas e geradoras de uma cidadania de resultado para os alagoanos e brasileiros.
Nosso povo pode continuar a esperar de mim a mesma independência, transparência e equilíbrio na minha atuação política. Foram elas os alicerces na minha estrada da vida.
E são estes mesmo atributos que não me fazem sentir representado por nenhuma das candidaturas postas para governar o Brasil, as quais aguçam extremos políticos que não fazem bem ao nosso país.
Por isso, minha orientação é que os eleitores procurem pesquisar e analisar cuidadosamente, buscando sempre a verdade, direcionando o voto de acordo com seus princípios e consciência.
Sigo firme em nome dos valores democráticos e confiante de que atuarei no Senado em defesa de Alagoas, do Brasil e com muita independência e diálogo com a população.

Rodrigo Cunha