Como checar se notícias são verdadeiras

Foto por Simon/CC0 Creative Commons

Todos os dias, a internet é inundada de notícias, boatos e correntes de whatsapp. À primeira vista eles podem parecer e soar verdadeiros e muito confiáveis, mas nem sempre é o caso.

Essas “notícias” são fabricadas de forma a provocar fortes reações e causar uma sensação de urgência que faça com que elas sejam compartilhadas sem pensar e por isso é tão importante aprender a parar e checar a veracidade do que é divulgado antes de prosseguir.

Sites de checagem de fatos são a primeira linha de defesa

O primeiro passo ao se deparar com uma dessas informações chocantes é pesquisar se algum dos sites especializados na apuração de notícias já cobriu o assunto.

O E-Farsas é administrado pelo autor Gilmar Lopes há mais de 10 e ele já foi responsável por descobrir diversas farsas famosas, que vão da eficácia de dietas da moda até fenômenos “inexplicáveis” da natureza.

Outra fonte muito útil para a checagem de todo tipo de notícia é o Boatos.org. A equipe do site também já descobriu diversas falsidades espalhadas pela internet e costuma ser muito rápida na hora de desvendar o que realmente aconteceu.

O editor da equipe do site e escritor Edgard Matsuki é tão respeitado na comunidade de checagem de fatos que até mesmo já foi convidado por sites de renome como o EBC e o UOL para falar sobre a veracidade de diversas notícias.

 Foto por Thomas Hawk/CC BY 2.0 “Jornalista Maria Konnivova: especialista em pensamento crítico”

É importante desenvolver as próprias técnicas de checagem de fatos

Nos casos urgentes em que esses dois sites ainda não tiverem tido tempo hábil para apurar a veracidade de notícias, é uma boa ideia desenvolver as próprias técnicas de checagem de fatos.

Maria Konnikova é uma jornalista, escritora e embaixadora da PokerStars. Ela é autora de diversos títulos sobre como pensar de maneira crítica e todos os seus livros falam muito sobre a importância de checar se o que está sendo dito é verdadeiro.

Konnikova oferece várias dicas valiosas sobre o assunto, especialmente no livro “Perspicácia: Aprenda a Pensar como Sherlock Holmes”, mas sua principal recomendação é tentar imaginar o que as pessoas ou fonte que espalha a notícia teriam a ganhar se elas fossem verdadeiras.

Diversos outros pensadores já se debruçaram sobre o tema

O cientista Carl Sagan foi o primeiro criador de um “kit de detecção de mentiras”, mas muitas coisas mudaram nos últimos anos e o psicológico e escritor Michael Shermer atualizou essa ferramenta para o novo milênio.

Assim como as dicas da Konnikova, os principais conselhos de Shermer são no sentido de parar e analisar as motivações de quem está espalhando a notícia antes de considerar aquilo como verdade.

O autor também recomenda observar se os fatos alegados pela notícia estão de acordo com o esperado e se elas não contradizem alguma verdade cientificamente comprovada, mas é interessante ler a versão completa do kit desenvolvido por ele para ter acesso a todas as dicas.

Além dos conselhos e ferramentas compartilhados por Konnikova e Shermer, uma boa dica para se manter resguardado contra esse tipo de notícia é tentar manter sempre um estado mental calmo e atento.

É comprovado que estados emocionais intensos diminuem o senso crítico e a capacidade de raciocinar, por isso sempre é recomendado esperar um pouco antes de agir em relação a qualquer notícia.

É crucial não compartilhar notícias duvidosas

Checar se a notícia já foi desmentida em algum dos sites mencionados e desenvolver as próprias ferramentas de checagem de fatos é importante, mas ao se deparar com algo online é crucial manter a calma, deixar as emoções passarem e nunca compartilhar sem saber se o que foi dito é mesmo verdade.

Essas “notícias” dependem do compartilhamento para se espalharem e somente impedindo que isso ocorra de maneira desenfreada é possível acabar com elas e com os diversos tipos de dano que elas podem causar.