Como política pública de convivência com o semiárido, a Codevasf está implantando sistemas de dessalinização em comunidades rurais em Alagoas. Os dessalinizadores serão implantados em municípios que já estão sendo atendidos pela Codevasf com a implantação de poços tubulares. Caso haja demanda, outros municípios que já tenham poços tubulares instalados também poderão ser atendidos.

O sistema de dessalinização contratado pela Codevasf é do tipo cabinado, que funciona dentro de uma estrutura de proteção, o que torna mais simples os processos de instalação e de manutenção, podendo ser transferido de local com mais facilidade. Cada unidade possui capacidade de dessalinização de 300 a 1.200 litros de água por hora. Para o atendimento de cada comunidade, a Codevasf vai investir cerca de R$ 92 mil em cada sistema de dessalinização.

Os equipamentos são compostos por poço tubular, bomba do poço, tanque de alimentação, dessalinizador, tanque do permeado para água potável e tanque do concentrado para água com alta concentração de sais. Todos os sistemas de dessalinizadores em implantação pela Codevasf terão um clorador para proporcionar um efeito bactericida na água que sai no chafariz. Em outro ponto funciona um cocho para dessedentação animal, no qual a água do concentrado é utilizada.

O engenheiro eletricista da Codevasf Glauco Macário, responsável pela implantação do projeto, explicou que os sistemas de dessalinização serão implantados de acordo com a necessidade dos municípios onde estão sendo instalados os cerca de 200 poços tubulares. “Durante a implantação dos poços, será realizada uma análise físico-química da qualidade da água para dimensionar a necessidade e a estrutura dos dessalinizadores. Caso seja perfurado um poço cuja salobridade seja elevada, também vamos implantar um sistema de dessalinizador”, afirmou.

Segundo ele, alguns sistemas de dessalinização funcionarão por meio de energia solar quando a qualidade da energia da comunidade não for adequada ao funcionamento do equipamento.

Macário ainda destacou que, atendida a demanda inicial do projeto, outros municípios que já contam com poços tubulares instalados poderão receber os dessalinizadores caso seja identificada a necessidade de tornar potável a água desses poços.

OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS DESSALINIZADORES

Um dos pontos fundamentais para o sucesso do projeto é a definição sobre a instituição que será responsável pela operação e manutenção do sistema de dessalinização. Para isso, a Codevasf está realizando os arranjos institucionais que tem início com o pedido de instalação de poços tubulares por parte das prefeituras municipais. Caso seja identificada a necessidade de instalação de um dessalinizador no poço, isso será condicionado aos arranjos institucionais firmados entre Codevasf, prefeitura e associação de moradores das comunidades beneficiadas para operação e manutenção do sistema.

“Buscamos realizar um arranjo institucional em que cada parceiro na instalação do dessalinizador firme o compromisso de contribuir para que ele tenha sua operação e manutenção garantidas. Os custos para promover o acesso das comunidades à água tornam-se menores quando olhamos para os resultados sociais que um dessalinizador pode trazer às famílias atendidas”, declarou o superintendente regional da Codevasf em Alagoas, James Marlan Ferreira.

A proposta da Codevasf apresentada a prefeituras e associações de moradores recomenda que o poder executivo municipal seja responsável pelos custos com energia elétrica, e a manutenção seja realizada a partir de uma parceria entre prefeituras e associações. Para isso, a empresa contratada pela Codevasf para implantar os dessalinizadores também vai treinar os operadores e responsáveis pela manutenção do equipamento.

POÇOS TUBULARES

Como parte das ações para convivência no semiárido, a Codevasf vai implantar 200 poços tubulares, sendo 170 com perfuração em rochas cristalinas e 30 em rochas sedimentares. O investimento da Companhia é de R$ 5,6 milhões.

A implantação dos poços tubulares ocorre em três fases. Na primeira, um geólogo vai até a comunidade rural e, por meio de estudos preliminares, localiza o ponto em que há uma provável fonte de água e faz o georreferenciamento por GPS. Na segunda fase, é deslocada uma equipe de campo que fará a perfuração no local georreferenciado. Na última fase, há a colocação da bomba e o teste para operacionalização do poço artesiano.

O atendimento aos municípios ocorre por microrregiões. Até o momento, já foram perfurados 142 poços artesianos, dos quais 27 já estão totalmente instalados nos municípios de Lagoa da Canoa, Taquarana, Poços das Trincheiras, Olho D’Água das Flores, Pão de Açúcar e Pariconha.