Entre tá lento e talento, Paulo Henrique Ganso vale o risco na Série A?


​Liberado por Sevilla e Amiens para procurar um novo clube via emprésti​mo, Paulo Henrique Ganso não esconde seu desejo de retornar ao futebol brasileiro, onde viveu a melhor fase técnica e esportiva de sua carreira. Sem conseguir se adaptar ao ritmo do futebol europeu em momento algum, o meia vê na volta à Série A uma oportunidade para recuperar o moral, o prestígio e a boa fase dos tempos de Santos e São Paulo. Não há dúvidas de que o camisa 10 ainda tem mercado em solo tupiniquim, mas fica o questionamento: Ganso ainda merece ser ‘objeto de desejo’ de torcedores ou dirigentes por aqui?

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Muito da euforia que ainda gira em torno de Ganso é oriunda da nostalgia em cima dos grandes momentos vividos por ele na Vila Belmiro. No entanto, não é errado dizer que o camisa 10 não joga em alto nível há três ou quatro temporadas, apesar de bons lampejos do jogador no início de 2016, ainda quando vestia a camisa do São Paulo. Eu seria imprudente se afirmasse que o paraense perdeu a técnica apurada e o passe refinado que o consagraram por aqui, mas posso afirmar que isso é suficiente para as demandas do futebol contemporâneo. Mesmo avançando em passos lentos e seguindo defasado em relação às ideias e filosofias europeias, o nosso futebol já demanda mais disciplina tática e alta rotação do que exigia no início da década.

Paulo Henrique Ganso

O clube da Série A que apostar na contratação de Paulo Henrique Ganso – ​o Fluminense surge como um dos principais interessados -, precisa saber de todos os riscos que acompanham este negócio: o alto investimento em salários, a pouca dedicação do jogador nos momentos defensivos, a cadência e a questão física, uma incógnita nos últimos anos de carreira do atleta. O histórico de lesões do camisa 10 é extenso e preocupante, sendo este um fator a ser analisado com muita cautela por clubes brasileiros: se com equipamentos de ponta, calendário mais ameno e gramados perfeitos, Ganso conviveu com contusões no Velho Continente, como será em seu retorno ao Brasil?

Todas essas grandezas transformam a contratação do jogador de 29 anos como um investimento de alto risco, sem garantias de retorno esportivo. Como fã de futebol e apreciadora do jogo técnico bem jogado, torço pela regeneração do meio-campista, já que talento natural não lhe falta. Mas hoje, infelizmente, o “pacote Ganso” traz mais ônus do que bônus para quaisquer gigantes da elite do futebol brasileiro.

Youri Tielemans,Ganso





Fonte: 90min