Fernando Eiras elogia direção de Amora Mautner em A Dona do Pedaço

Fernando Eiras em A Dona do Pedaço
Fernando Eiras em A Dona do Pedaço (Reprodução).

De volta ao horário nobre da TV Globo, Fernando Eiras estará em A Dona do Pedaço, próxima novela das nove da TV Globo, com autoria de Walcyr Carrasco. Na trama ele será um padre que ajudará Maria da Paz (Juliana Paes). Segundo o ator, o padre passará por grandes apuros no meio da briga entre as duas famílias centrais da novela.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Fernando falou sobre a novela e contou alguns detalhes da sua carreira na teledramaturgia. Confira:

A Dona do Pedaço

Como está sendo para você fazer a novela A Dona do Pedaço?

“Eu vou dizer um nome: Amora Mautner. Primeiro que é uma maravilha você ser comandado por uma mulher, estar em uma televisão, na TV Globo, com a Amora e o talento dela, a viralidade de todo o seu raciocínio e comandando todos nós. Essa criatura nessa chama, que a princípio, tem um metro e setenta ou sessenta. Ela fica imersa e nos comanda. Já fomos para Jaguarão, Jaguari e começamos essa novela pegando um avião até Porto Alegre. Logo depois de lá, foram cinco horas até Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. Ficamos ali no meio da selva e de lá fomos para Jaguari, há sete hora dali, noroeste do Rio Grande do Sul.

Ficamos ali durante um mês e meio, gravando os primeiros dias de A Dona do Pedaço. Foram dias felizes, digo dias felizes porque esse era o primeiro nome da novela. Foram realmente dias felizes, porque ficamos muito unidos, movidos pela vontade de fazer esse trabalho. Eu pensei muito em Janete Clair, minha amiga e pessoa que me lançou na televisão, que eu conheci muito de perto. Foi com ela que eu fiz minha primeira novela na Globo, Pai Herói onde eu fazia um padre, só que eu tinha 21 e agora eu tenho 62.

Referência

Então estávamos ali começando a novela, cheios de toda aquela vontade de fazer um folhetim. Eu pensava nos grandes filmes de folhetim, porque eu sempre gostei de cinema. A novela começa no interior do Espirito Santo, é muito sintomático que seja no Espirito Santo, porque o espirito é realmente santo. Tem essas duas famílias inimigas, tem uma tradição de dramaturgia e o Walcyr aproveita, essa coisa um pouco Romeu e Julieta. Dessas duas famílias nascem dois jovens e eles se apaixonam. E assim como em Romeu e Julieta tem um padre, que se não fosse por ele, não existiria esse amor.

Então, o Walcyr colocou esse padre e ele é quem salva os dois, esse padre foi colocado para agir ali entre essas duas famílias. Por incrível que pareça, nenhum tiro pega em mim, eu realmente acho incrível porque é tiro para todo lado. Ele morre de medo de levar um tiro e ele amaldiçoa aquelas famílias, aquela situação. Porque ele pode levar um tiro a qualquer momento. Eu estou falando do perfil da história de leve, para que as pessoas tenham interesse em assistir. É um folhetim, tem paixão, tem um berço da dramaturgia que é a história de Verona, porque tem uma referência muito direta com Romeu e Julieta. Afinal, dessas duas famílias surgem dois frutos que se apaixonam e aí essas famílias são obrigadas a se tolerar, se aguentar e é aí que elas não aguentam.

Romance

Há uma luta dessas duas almas desesperadas que tentam sobreviver a essa guerra, porque não é uma inimizade, é uma guerra. Eles se matam há gerações, é matança mesmo, bobeou leva um tiro. Até parece um país que a gente conhece. Eles dois são duas almas desesperadas, tentando fazer com que aquele amor sobreviva, é puro folhetim. É um prazer enorme, uma novela que tem Fernanda Montenegro fazendo a grande matriarca, uma mulher furiosa. Outro dia eu falei para ela, porque ela acabou de fazer uma santa e agora está fazendo uma assassina.

Temos também Suely Franco, temos Rosi Campos, Nívea Maria, Jussara Freire, Juliana Paes, Paolla Oliveira que é a mulher mais linda do mundo. Temos essas mulheres lindas e grandes atores. Marcos Palmeira que é um ator preparado para ocupar o espaço que ele está ocupando, tem um carisma muito grande. Marco Nanini e grandes atores queridos, um elenco caprichosamente escolhido.”

Primeira fase

Você participa só da primeira fase ou dá continuidade na novela?

“Agora o que existe para a gente é a primeira fase, porque na verdade são sete capítulos, sete longas metragens. Porque imagina um mês e meio, eu saí de casa e fiquei um mês e meio no Jaguarão. Nós temos esses sete capítulos, mas na verdade o Walcyr já escreveu até o capítulo vinte. Ele tem por hábito desenvolver a novela junto com o público, então ele está por aí, nós estamos nos sete primeiros capítulos e eu não sei o que acontece depois.

Mas não posso dizer se eu fico ou não. E no dia que nós ficamos aqui no diluvio, você pode imaginar? Já era dez horas da noite e havíamos passado o dia gravando, começamos um Big Brother, fomos para a Kopenhagen, vamos comer chocolate. Mas eu posso dizer que o nosso desejo, é o desejo mais puro e genuíno que eu continue, tem o nosso desejo do padre continuar. Ele é muito querido, uma delicia e ele me encontra em um momento que eu estou maduro como ator.”

Passado

Pai Herói foi uma novela em que os atores eram idolatrados, né?

Pai Herói aconteceu em uma época que não existia TV fechada no Brasil, só existia TV Globo, então a novela dava 90,7 pontos no Ibope. Era uma loucura, mas eu tinha 21 anos. Hoje em dia quando você é um ator, consegue sobreviver no mundo dos homens e você tem 61 anos, você tem os seus recursos com você para oferecer ao público em cenas. Esse padre agora, é um padre maduro, eu gosto muito dele porque é uma delícia, ele está no meio do tiroteio e se mete em tudo.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.



Fonte: Observatório da TV