As Aventuras de Poliana reafirma a força das tramas infantis

Sophia Valverde interpreta a menina Poliana na novela As Aventuras de Poliana
Sophia Valverde interpreta a menina Poliana na novela As Aventuras de Poliana (Foto: Gabriel Cardoso/ SBT)

Hoje (16), a novela As Aventuras de Poliana, do SBT, completa um ano no ar. A trama tem o que comemorar, já que conseguiu manter o sucesso da faixa de novelas infantis da emissora. Mais do que isso: deu novo rumo à teledramaturgia da emissora ao buscar outra fonte de “inspiração”, sem apostar numa nova adaptação de novela latina. Desta vez, a autora Iris Abravanel usou como base o romance Pollyanna, de Eleanor H. Porter. E se deu muito bem!

A novelista foi muito feliz ao enxergar no clássico da literatura mundial um bom mote para uma novela infantil. Assim, apostou em Poliana (Sophia Valverde) e seu famoso otimismo, que contagia a todos com o “jogo do contente”. Como no livro, a menina vai viver com uma tia carrancuda depois da morte dos pais. Ela, então, ensina a todos a olhar o lado bom da vida, e consegue até transformar a tia. Trata-se de um mote conhecido dos fãs das novelas para crianças, já que lembra a mexicana Chispita, seu remake Luz Clarita, e outras tramas.

Iris Abravanel também aproveitou o know-how adquirido nas adaptações de Carrossel, Chiquititas e Cúmplices de um Resgate para rechear sua atual trama. Ao situar parte da história num colégio, a autora criou um universo povoado por crianças, jovens e adultos, amarrando tramas paralelas que deram sustentação à história da protagonista. O enredo não difere de suas novelas anteriores, mas a fórmula se mostrou irresistível ao público-alvo. E é por isso que As Aventuras de Poliana segue em alta, um ano depois da estreia.

Trama a perder de vista

No entanto, apesar dos resultados satisfatórios, a emissora poderia rever o tamanho de suas novelas. As Aventuras de Poliana já vem sofrendo do mesmo mal que acometeu sua sucessora, Carinha de Anjo. O mote inicial já se esgotou, e a novela começa a abusar de histórias recicladas. Além disso, rechear os capítulos com música continua sendo uma arma para aumentar a duração deles sem “queimar” trama.

Mas, para a emissora, o que importa é garantir a vice-liderança. E isso, convenhamos, As Aventuras de Poliana consegue, e com louvor. Ao que tudo indica, o público infantil costuma se afeiçoar aos personagens e os acompanha, mesmo que nada muito interessante aconteça com eles. Além disso, a repetição entre uma trama e outra também não é um problema, já que o público cresce e é constantemente renovado.

Sendo assim, se diminuir o tamanho das tramas não é um plano do SBT, a emissora devia, ao menos, seguir buscando novas fontes de inspiração. Adaptar um livro clássico deu certo. E o que não faltam são clássicos infantis para adaptar. Mas o canal poderia ousar ainda mais e apostar, também, numa novela totalmente original. Por que não?

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Fonte: Observatório da TV