Fogão vê crise se acentuar, e ex-presidente dá a real: “O pior mês será sempre o próximo”

​A crise financeira do ​Botafogo não é novidade para ninguém. E pior: cada vez se acentua mais. O balanço de 2018, por exemplo, apontou déficit na receita bruta do clube e elevação da dívida. Neste mês de julho, por conta do atraso em pagamentos (dois meses de salários, premiações e direitos de imagem em aberto), os jogadores fizeram o segundo protesto no ano, prometendo não dar entrevistas até que ao menos parte do débito seja saldado. Como não existe previsão de quando isso irá ocorrer, o temor é de, completando o terceiro mês, os atletas busquem a rescisão de contrato na Justiça.

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Chamado para se aproximar do elenco e assistir a um treinamento, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro deu a real. “O pior mês do Botafogo será sempre o próximo. Não tem essa de mês de julho ou agosto. Está desanimador. O pessoal todo é bem intencionado e por isso eu ajudou, mas estão fechados numa redoma. Eles não sabem o que está acontecendo fora, o que os botafoguenses acham. Acham que sabem tudo e resolvem tudo. Teve uma época em que imaginavam que não precisavam de ninguém, agora está batendo o desespero”, disse, ao ​Globoesporte.com, o mandatário campeão brasileiro de 1995.

Diego Souza

Penhoras e dívidas trabalhistas impedem o Botafogo de conseguir recursos. Além disso, a busca por um patrocinador máster se mostra sem sucesso desde fevereiro, quando a Caixa deixou de estampar sua marca na camisa alvinegra. Embora o clube ainda tenha verba a receber da instituição financeira, enquanto não reconquistar as chamadas certidões negativas de débito, não verá a cor do dinheiro. Para complicar ainda mais, a Kappa, nova fornecedora de material esportivo, só entrará no uniforme em setembro. Como o estoque da Topper está praticamente esgotado, também não existe perspectiva de faturar com a venda de camisetas.

Em 2015, o clube pediu um adiantamento da Globo de R$ 40 milhões, e parcelas acabam sendo descontadas periodicamente. Um outro adiantamento também fez o Fogão renunciar a R$ 3,3 milhões mensais oriundos do pay per view. Ou seja, em 2019 o Fogão vem sobrevivendo, praticamente, com o que entrou das vendas de atletas como Igor Rabello, Matheus Fernandes, Glauber e Leandro Carvalho. Além disso, contou com um empréstimo recente em que deu percentuais de atletas da base como garanta, sem falar na ajuda de botafoguenses ilustres, como o próprio Montenegro. E isso tende a continuar.

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Fonte: 90min