Estrangeiros: mudança necessária para o futuro do futebol brasileiro

Jorge Sampaoli


Outro patamar? ​Flamengo e Santos de 2019 estimulam mercado brasileiro e clubes começam a mudar perspectiva em relação aos treinadores estrangeiros. Atualmente, além do rubro-negro carioca e do ​alvinegro praiano (que trocou de técnico, mas mantém um profissional do exterior), Internacional e Atlético Mineiro também aderiram a ‘nova moda’. Bragantino estuda a possibilidade. A mudança não é inevitavelmente boa, mas é extremamente necessária.

O Brasil foi massacrado pela Alemanha no dia 8 de julho de 2014, no Mineirão, em uma semifinal de Copa do Mundo. O primeiro reflexo daquela derrota acachapante foi o luto. O segundo momento, com os ânimos mais amenos, era de mudança e esperança para o futuro. O resultado final foi que nada mudou ou pior. O futebol brasileiro se acomodou e viu a distância, que era grande para a elite do esporte mundial, ficar ainda maior.

O esporte mais querido do mundo ficou cada vez mais burocrático em solo brasileiro. A aclamação por mudanças é praticamente global, mas a realidade nacional é triste. Os clubes, em sua maioria, são desorganizados. Os treinadores, de modo geral, são acondicionados em uma situação empregatícia de segurança e pouco empenho em mudar ou de tentar resgatar o que fez do Brasil: “O País do Futebol”. Os torcedores e demais envolvidos seguem apoiando ou cumprindo seu papel.

O rodízio de técnicos no Brasil é algo tão natural e “importante” para manter todos trabalhando que não tem problema. O treinador A deixa o clube B e vai para o time C quase que em um fluxo ou ciclo ininterrupto. A consolidação de mais nomes no mercado é importante e gera desconforto naqueles que estavam tão certos de seus trabalhos. Os estrangeiros vieram para ficar e os brasileiros precisaram rever conceitos, propostas, métodos e ideias para acompanhar o nível de desempenho exigido atualmente.

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A falta de uma ‘cadeira cativa’ nos clubes brasileiros provoca a evolução que era necessária. Quem não lembra do “nó” tático que o técnico Tite tomou do treinador espanhol Roberto Martínez na última Copa do Mundo, especialmente no primeiro tempo? A raiz do conformismo se estende por todo o esporte em âmbito nacional e alcança até o cargo mais alto de um comandante técnico no mundo.

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Os portugueses Jorge Jesus (Flamengo) e Jesualdo Ferreira (Santos), o argentino Eduardo Coudet (​Internacional) e o venezuelano Rafael Dudamel (​Atlético-MG) não vieram exclusivamente para mudar o pensamento de que “é melhor jogar feio e ganhar, do que bonito e perder”, mas para mostrar que é possível fazer mais e que existem outras opções no mercado. A provocação chegou e mudanças devem acontecer. 





Fonte: 90min