O Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo começou 2020 dando um importante passo em matéria de tecnologia e inovação. Neste mês de janeiro, três programas de computador, todos criados a partir de um projeto de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), tiveram seus registros solicitados ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Um deles, de nome Labreal, já teve o registro publicado pelo órgão, concedendo aos autores a tutela dos direitos relativos ao software pelo prazo de 50 anos.

Tanto o Labreal quanto os outros dois programas – QuizQuimica e VrLabe – estão relacionados ao ensino da Química e consistem em jogos digitais que funcionam como facilitadores no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos da disciplina e como ferramentas de educação inclusiva.

O processo de criação e aplicação dos softwares se deu entre os anos de 2018 e 2019, com o projeto do Pibiti orientado pela professora Elisangela Santos. A ideia partiu do então bolsista, Ermesson Lima, do curso técnico em Química subsequente e também aluno do bacharelado em Sistemas de Informação, na unidade de Penedo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O projeto envolveu ainda o ex-aluno do e então voluntário do Pibiti, Dalton Serafim, que atualmente cursa Ciências Biológicas na Ufal.

“Estávamos no 2º período do curso técnico e queríamos fazer algum projeto, mas não sabíamos exatamente sobre o que. Conversamos então com o professor Marcos Oliveira, que na época ministrava a disciplina de Química Orgânica, e ele nos mostrou informações sobre TICs [tecnologias da informação e comunicação]. Daí surgiu a ideia de desenvolver jogos para facilitar o ensino da Química e possibilitar a inclusão de pessoas com deficiências físicas, que não podiam ter acesso a laboratórios, ou até mesmo beneficiar escolas que tem carência de equipamentos e vidrarias”, contou Ermesson Lima.

Procurada pelos estudantes para orientar o projeto, a professora Elisangela relatou que recebeu a ideia considerando-a interessante por serem as TICs uma linha de trabalho promissora na área educacional. “Inicialmente, eles me falaram que estavam pensando em fazer algo voltado para alunos que tivessem dificuldades de aprendizado dos conteúdos de Química. Sugeri que avaliassem essa dificuldade com os próprios estudantes do Ifal, tanto no ensino médio integrado quanto no curso subsequente. Surgiu então o primeiro jogo que foi o QuizQuimica. Depois, veio a ideia de laboratórios, tendo em vista as dificuldades de acesso a esses ambientes dos alunos de escolas públicas de Penedo. A partir daí, trabalhamos na criação de um laboratório virtual e, por último, do aplicativo que permite explorar os itens que compõem um laboratório de Química”, disse a professora referindo-se ao VrLabe e ao Labreal, respectivamente.

Os programas

O Labreal é um jogo de realidade aumentada, em que o usuário pode apontar com a câmera de seu smartphone para algumas imagens já selecionadas e visualizar objetos tridimensionais e informações específicas sobre cada um deles. O acesso a esses dados ocorre através de um código de barras bidimensional (QR Code). “A imagem selecionada pode ser, por exemplo, um balão de Erlenmeyer e, quando se aponta a câmera do celular para o código, a vidraria surge em 3D com informações sobre composição, se o frasco é de vidro ou plástico, utilizações mais comuns, se é preciso ou não, limitações e vantagens”, exemplificou o ex-bolsista do Pibiti.

Já o VrLabe é um jogo de realidade virtual, através do qual o usuário pode conhecer um laboratório, interagir, ver equipamentos e tipos de vidrarias. Ou seja, torna possível visitar o ambiente sem que se precise sair do lugar, utilizando apenas um acessório como intermediário (neste caso, são os óculos de realidade virtual).

O QuizQuimica, como o próprio nome já sugere, corresponde a um jogo no estilo Quiz (perguntas e respostas), que permite avaliar o aluno de acordo com seus conhecimentos. Ele é composto por sete níveis adaptados para cada série, de forma a acompanhar o assunto atual da disciplina de Química. A mudança de nível do usuário no jogo está condicionada ao alcance de uma boa pontuação.

Os três programas foram aplicados em turmas de ensino médio da Escola Estadual Dr. Alcides Andrade e durante a Semana de Química do Ifal Penedo, ocorrida em junho do ano passado. “A utilização dos jogos como recursos didáticos mostrou o quanto é possível direcionar as novas tecnologias, hoje tão presentes na vida de jovens e crianças, ao aprendizado de disciplinas consideradas de difícil compreensão e, com isso, aumentar o rendimento escolar”, destacou o aluno Ermesson.

Registro

Quando os estudantes tiveram a ideia e a professora Elisangela abraçou a proposta, tornando-se orientadora do projeto, a expectativa era criar e aplicar os jogos para conseguir beneficiar o maior número de estudantes nas escolas de Penedo. “Não imaginávamos que acabaríamos sendo beneficiados com o registro dos programas”, contou Ermesson.

A sugestão de proteger os direitos dos softwares criados foi dada pela equipe do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Ifal, durante a avaliação dos projetos do Pibiti e de iniciação científica (Pibic) realizados no Campus Penedo. “Após a apresentação, o pessoal achou a iniciativa interessante e informou que os programas poderiam ser registrados junto ao INPI”, disse a professora Elisangela, acrescentando que o processo de solicitação foi iniciado em novembro do ano passado e intermediado pelo NIT.

Conforme regulamentação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o registro de programa de computador é válido por 50 anos a partir da sua criação ou de 1º de janeiro do ano subsequente à sua publicação. A proteção não é territorial, ou seja, sua abrangência é internacional, compreendendo os 175 países signatários da Convenção de Berna (1886).

Com o registro já concedido ao Labreal e os outros dois em andamento, o objetivo de colaborar com o ensino da Química nas escolas de Penedo permanece, mas agora com uma nova perspectiva. “Penso em continuar desenvolvendo e ampliar para outros conteúdos, que alcance desde o ensino fundamental ao ensino superior, talvez até em forma de startup”, concluiu Ermesson, referindo-se aos planos futuros de investir em um modelo de negócios com custos de manutenção baixos, mas com possibilidades de crescer rapidamente e gerar lucros.

Por Assessoria IFAL