Mesmo arrecadando R$ 200 milhões a menos e prevendo fechamento no vermelho, Galiotte não abriu negociações por joias da base


A pandemia de COVID-19 afetou a saúde financeira de todos os clubes brasileiros de maneira considerável. E, no Palmeiras, as coisas não foram diferentes.

Maior potência do país nos últimos anos em termos de dinheiro, ao lado do Flamengo, o Verdão prevê que irá faturar R$ 200 milhões a menos do que o previsto no orçamento montado para a temporada 2020 (cerca de R$ 600 milhões), segundo apurou a ESPN. Ou seja: um terço do total.

Os principais motivos dessa queda são a perda de arrecadação com bilheteria, cotas de TV e sócio-torcedor Avanti em meio aos transtornos causados pelo novo coronavírus.

Com isso, a previsão nos bastidores palestrinos é que o clube fechará o ano fiscal no vermelho – o que provavelmente também ocorrerá com todos os clubes do Brasil.

Isso não é registrado pelo Alviverde desde 2014, quando foi apresentado um déficit de R$ 27,7 milhões. Entre 2015 e 2019, por sua vez, todas as temporadas foram superavitárias.

Ainda assim, de acordo com apuração da reportagem, o presidente da equipe alviverde, Maurício Galiotte, se recusou a vender promessas das categorias de base do clube durante a janela de transferências do futebol europeu, mesmo com a estretégia sendo considerada uma forma rápida e fácil de ganhar dinheiro e impedir o déficit em 2020.

A ESPN soube que o clube recebeu sondagens por Patrick de Paula, Gabriel Menino, Wesley e Gabriel Veron, todos pratas-da-casa e integrantes da equipe profissional palestrina. No entanto, Galiotte não autorizou que a diretoria de futebol abrisse negociação oficial por nenhum deles.

Como justificativa, o cartola apontou que o desempenho esportivo seria claramente afetado por uma ou mais vendas.

Além disso, Galiotte entende que os atletas ainda precisam cumprir um “ciclo” mais longo dentro do Palmeiras para que o processo de reformulação atual do clube (com prioridade para uso da base) seja completo.

Não à toa, houve aumento de 50% em média por ano dos investimentos na base nos últimos três anos em comparação com os três anos anteriores no Palestra Itália.

Como resultado, as equipes inferiores palmeirenses ganharam 76 títulos nas últimas três temporadas, e o Alviverde foi o clube com mais convocações pra seleções brasileiras inferiores nos últimos dois anos.

Vale lembrar também que as joias alviverdes estão todas “protegidas” do assédio dos estrangeiros por contratos longos e com altas multas rescisórias.

Recentemente, por exemplo, Gabril Veron, um dos nomes mais cobiçados do plantel palestrino, renovou até 2025, com cláusula de 60 milhões de euros (R$ 393 milhões) para equipes estrangeiras.

E mesmo sem ter negociado seus pratas-da-casa, o Alviverde ainda arrecadou bom dinheiro em duas negociações de “medalhões” do elenco, com o dinheiro que entrou ajudando a dar fôlego para a sequência da temporada.

O primeiro foi o lateral-esquerdo Diogo Barbosa, que teve 25% de seus direitos vendidos para o Grêmio por cerca de R$ 10 milhões.

O segundo foi o zagueiro Vitor Hugo, negociado com o Trabzonspor-TUR por 3,2 milhões de euros (R$ 21 milhões) por 70% de seus direitos.

A ESPN ainda apurou que o Verdão descarta fazer contratações para repôr as saídas de ambos, preferindo apostar em mais promessas da base.

Para a ala esquerda, Lucas Esteves, de 20 anos, é o nome, enquanto na zaga, os jovens Henri e Renan, ambos de 18 anos, já integram o profissional.

BASE JÁ SOMA 82 JOGOS

Ao todo, nove garotos fazem parte do plantel adulto no Palestra Itália (cerca de 30% do elenco).

Além disso, sete crias da base alviverde fizeram seus 1º jogos pelo profissional Palmeiras em 2020.

Isso fez de Vanderlei Luxemburgo o técnico que mais promoveu estreias de atletas da base em uma única temporada neste século 21 (à frente de Jair Picerni em 2003, Caio Jr. em 2007 e Gilson Kleina em 2013, todos com seis).

Na ordem, foram a campo Patrick de Paula, Gabriel Menino, Wesley, Alan (hoje emprestado ao Guarani), Angulo (hoje no Cruzeiro), Gabriel Silva e Danilo.

Juntos, eles somam 82 jogos e já fazem desta a temporada em que o Palmeiras mais colocou jovens estreantes da base para atuar na década, superando as 76 partidas de oito pratas-da-casa debutantes em 2014 – neste século, o ano de 2020 está atrás só de 2010, que teve 103 jogos de 11 estreantes da base.

E, como a temporada ainda está na metade, 2020 certamente passará 2010 e será o ano com maior número de jogos de estreantes da base neste século.

Fonte: ESPN