Concurso PC PR: após provas suspensas, corporação quer romper com organizadora


As provas do concurso público da Polícia Civil do Paraná, previstas para serem aplicadas no domingo, 21 de fevereiro, foram suspensas no início da manhã. Às 5h42 do domingo, um comunicado no site da Universidade Federal do Paraná (UFPR), banca organizadora, confirmava a suspensão do certame, que prevê vagas para os cargos de investigador, papiloscopista e delegado.

“Considerando que, na última checagem realizada na madrugada de 21 de fevereiro de 2021 em observância ao seu protocolo de integridade, o Núcleo de Concursos da UFPR denotou a ausência de requisitos indispensáveis de SEGURANÇA para a aplicação das provas do Concurso Público em todos os locais previstos na capital e nas cidades da Região Metropolitana de Curitiba/PR, o que poderia colocar em risco a integridade das avaliações e o tratamento isonômico dos candidatos, bem como a saúde e a biossegurança de todos os envolvidos na realização das provas para o provimento de cargos públicos de Delegado de Polícia, Investigador de Polícia e Papiloscopista, comunica-se – por cautela e com urgência – a SUSPENSÃO da aplicação de todas as provas previstas para o dia 21 de fevereiro de 2021 e o seu ADIAMENTO para outra data a ser oportunamente informada”, diz o comunicado.

As provas estavam previstas para serem aplicadas em 350 locais em Curitiba e 19 em outras cidades do estado para cerca de 106 mil candidatos, conforme informado pela banca. Os exames seriam aplicados das 13h30 às 18h30.

O Governo do Paraná afirmou por meio de nota que a decisão foi da UFPR e que não compactua com a “irresponsabilidade de serem informados do cancelamento poucas horas antes da aplicação das provas”.

Além disso, disse que está cobrando esclarecimentos do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná, responsável pelo concurso, sobre a decisão.

O contrato com a banca poderá ser cancelado após a polêmica da suspensão de provas. O delegado da corporação, Silvio Jacob Rockembach, anunciou que o Governo do Estado vai buscar a reparação dos danos causados e a identificação dos responsáveis pela suspensão repentina da seleção.

O edital do concurso PC-PR previa que as etapas do concurso poderiam ser adiadas. Entretanto, desde que avisado com, pelo menos, 72 horas de antecedência, o que não ocorreu na situação, uma vez que as provas foram suspensas no dia de aplicação.

Sendo assim, há a possibilidade de uma nova banca ser escolhida para seguir com o concurso.

“O sentimento da Polícia Civil é de total indignação. É inadmissível que mais de 100 mil candidatos sejam tratados e desrespeitados da forma como foram. Nós não podemos admitir que um núcleo de concurso, com o know-how de uma universidade federal, apenas reconheça falhas horas antes da aplicação das provas e cancele o concurso da maneira como foi cancelado”, disse o delegado-geral.

Silvio Jacob Rockembach informou que a decisão da banca organizadora foi unilateral e surpreendeu também a Polícia Civil do Paraná.

“Ficamos sabendo da suspensão junto com toda a sociedade, a partir do comunicado publicado pela UFPR. Mantivemos contato constante, desde novembro, e a resposta sempre era de que tudo corria dentro do planejado para a realização do concurso. Ainda ontem à tarde estive pessoalmente com os responsáveis do Núcleo de Concursos e não houve qualquer comunicado sobre eventuais problemas para realização das provas”, salientou.

O Governador do Estado, Carlos Massa Ratinho Junior, também manifestou indignação contra o cancelamento inesperado das provas do concurso da Polícia Civil-PR. Por meio de suas redes sociais, ele afirmou que a situação é inaceitável.

“Concursandos de todo o país se deslocaram para Curitiba e região para realizar o concurso. Não compactuamos com esse desrespeito”, disse.

Na tarde do último domingo, 21 de fevereiro, a Universidade Federal do Paraná divulgou nota comentando a suspensão do concurso e prometendo resolução do problema. Na ocasião, a banca ofereceu detalhes a respeito do processo de organização da seleção diante de um cenário de pandemia.

Segundo a UFPR, foi submetido à Secretaria de Saúde do Estado um Protocolo de Biossegurança a ser observado durante a aplicação das provas. Além disso, a banca procurou adequar-se às exigências de segurança sanitária adicionais, apresentadas pelo Ministério Público de Trabalho e Defensoria Estadual e da União.

Porém, a banca afirma que, apesar de todo o esforço, a Universidade afirmou que a pandemia impôs novos desafios e dificuldades para os candidatos e para os trabalhadores responsáveis pela aplicação da prova, além de uma nova necessidade de adaptação de logística e infraestrutura.

Além disso, a UFPR disse que nas últimas 24h antes das provas, teve problemas inesperados e insuperáveis de logística de itens de segurança imprescindíveis, como, por exemplo, no recebimento dos termômetros para medição de temperatura dos candidatos na entrada dos locais de prova que foram exigidos pelo Ministério Público e Defensoria Pública da União e do Estado.

“Além disso, às vésperas das provas, ocorreram problemas relativos à desistência de cessão de espaços de vários locais (sobretudo de escolas) que, segundo a direção do Núcleo de Concursos/UFPR, inicialmente haviam se comprometido em servir para a aplicação das provas do concurso, bem como de alocação de pessoal, o que acarretou tanto um problema logístico insuperável de realocação de candidatos e de provas, quanto também de segurança e de igualdade de condições de concorrência entre todos os candidatos.”

Segundo a banca, até a divulgação de nova data, vai estabelecer condições para minimizar os transtornos ocorridos. A Universidade diz que pretende retomar o concurso na maior brevidade e nas melhores condições para todos.

Por fim, a UFPR diz que está reestruturando e substituindo a coordenação do Núcleo de Concursos e apurará internamente, e de modo imediato, público e transparente, o planejamento do concurso, de modo a identificar se houve desvios na condução das ações realizadas internamente no Núcleo de Concursos da UFPR.

O concurso PC PR

A Fundação de Apoio da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR) foi a banca organizadora do certame. As vagas são destinadas aos cargos de Delegado (50 vagas), Investigador (300 vagas) e Papiloscopista (50 vagas). O concurso registrou 106.332 inscritos.

Do quantitativo total de inscritos, o destaque ficou para o cargo de Investigador (interior de Curitiba), com 45.706 inscritos. Em seguida, aparece o cargo de Delegado, com 34.884. Além disso, aparecem os cargos de Investigador (região metropolitana), com 10.899, Investigador (capital), com 7.537, Papiloscopista (capital) com 1.541 e 4.853 para o mesmo cargo no interior. Na região metropolitana foram 912.

Os salários chegam a:

  • R$ 18.280,05 para Delegado;
  • R$ 5.588,05 para Investigador; e
  • R$ 5.867,45 para Papiloscopista

Segundo o edital, para concorrer será necessário diploma, devidamente registrado, de conclusão de qualquer curso de graduação de nível superior, no caso dos cargos de Investigador de Polícia e Papiloscopista.

No caso de bacharel em Direito, no cargo de Delegado de Polícia, será necessário formação de ensino superior reconhecida pelo Ministério da Educação ou certidão que comprove ter o candidato colado grau e, neste caso, com a comprovação de estar sendo providenciado o registro do diploma, na forma da lei.

concurso da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) vai contar com:

  • a) Prova Objetiva;
  • b) Prova de Conhecimentos Específicos;
  • c) Prova de Títulos;
  • d) Prova de Higidez Física;
  • e) Prova de Aptidão Física;
  • f) Exame de Investigação de Conduta

A prova objetiva do concurso vai ser do tipo múltipla escolha, com cinco alternativas cada, das quais apenas uma deve ser assinalada, sendo avaliada na escala de 0 (zero) a 100 (cem) pontos. A etapa será de caráter eliminatório e classificatório, sendo constituída da seguinte maneira:

Delegado de Polícia

  • Direito Administrativo – 15 questões
  • Direito Constitucional – 15 questões
  • Direito Penal – 15 questões
  • Direito Processual Penal – 15 questões
  • Legislação Penal Especial – 15 questões
  • Criminologia – 05 questões
  • Direito Civil – 05 questões
  • Direitos Humanos – 05 questões
  • Informática – 05 questões
  • Medicina Legal – 05 questões

Papiloscopista e Investigador

  • Língua Portuguesa – 15 questões
  • Informática – 05 questões
  • Raciocínio Lógico – 05 questões
  • Noções de Direito Administrativo – 05 questões
  • Noções de Direito Constitucional – 05 questões
  • Noções de Direito Penal – 05 questões
  • Noções de Direito Processual Penal – 05 questões
  • Noções de Legislação Penal Especial – 05 questões

Haverá, ainda, prova dissertativa. Para Investigador e Papiloscopista haverá texto dissertativo-argumentativo sobre tema atual, a partir da leitura de um ou mais textos de referência (integral ou fragmento).

Para Delegado haverá a elaboração de Peça Prática consistente em Representação por medida cautelar usualmente utilizada por Delegado de Polícia.

No dia da prova, com duração de 5 (cinco) horas, serão realizados os exames para todos os cargos, sendo:

a) Delegado de Polícia: Prova Preambular Objetiva; e

b) Investigador de Polícia e Papiloscopista: Prova Preambular Objetiva e Prova de Conhecimentos Específicos.

Exclusivamente para o cargo de Delegado de Polícia, apenas para os candidatos classificados para esta fase, a Prova de Conhecimentos Específicos será realizada no dia 14/04/2021, na cidade de Curitiba, com duração de 5 (cinco) horas.

Fonte: Notícias Concursos

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