Dogecoin: de zoeira a uma das criptomoedas mais valorizadas do mundo


O mercado das criptomoedas está mais aquecido do que nunca. Grandes instituições financeiras estão adotando aos poucos as carteiras digitais, a comercialização de NFTs movimenta valores insanos por arte digital e a bitcoin sozinha recentemente superou todo o mercado de ações da bolsa brasileira.

Mas, entre todas as atuais histórias desse tema, existe uma tão surreal que parece quase inacreditável: a trajetória da dogecoin, uma criptomoeda que nasceu como uma brincadeira e permaneceu durante anos sorrateira, como uma alternativa que poucos investidores levavam a sério.

Agora, graças ao aquecimento do setor em geral e tweets de uma celebridade em especial, ela virou um dos mais valorizados do mercado.

A origem da Dogecoin

A dogecoin é uma criptomoeda que nasceu no final de 2013 graças a dois desenvolvedores: Billy Markus e Jackson Palmer.

Ela foi criada com uma grande brincadeira, uma espécie de paródia da bitcoin, que ainda era vista com muito ceticismo por boa parte da comunidade online, ao mesmo tempo que já atingia altos valores. Palmer foi o idealizador da ideia de combinar uma criptomoeda com um meme, enquanto Markus, um engenheiro de software da IBM, havia acabado de criar um projeto de moeda digital no tempo livre.

A primeira logo da Dogecoin: sem qualquer esforço de seriedade.A primeira logo da Dogecoin: sem qualquer esforço de seriedade.Fonte:  Wikipédia 

Em poucas horas em um único dia, a dupla desenvolveu uma criptomoeda do zero com as mesmas características e funcionalidades da bitcoin. Isso deixou eles tão surpresos quanto bem-humorados: o fato de tudo ser tão simples e quase abstrato nesse mercado era digno de uma piada, e nada melhor do que uma criptomoeda para escancarar isso.

O formato de funcionamento da Dogecoin é o de uma moeda digital simples: a partir de uma blockchain própria, você ganha como “recompensa” uma fração da moeda ao fazer a mineração, podendo utilizá-la para pagamentos em locais que a aceitam.

Entretanto, ela não tem um limite definido de quantidade de mineração e é mais simples em transações e mineração, o que pode contribuir para a inflação e instabilidade a níveis altos até mesmo para criptomoedas.

Doge quem?

O próprio tema escolhido foi uma grande brincadeira: o meme “Doge”, apelido de uma Shiba Inu japonesa chamada Kabosu que virou meme meses antes.

Tudo começou com a inocente divulgação de uma foto em especial de Kabosu em que ela aparece com um semblante sereno, o rosto rechonchudo e as patas dianteiras cruzadas. Rapidamente, ela viralizou e ganhou legendas propositadamente toscas, coloridas e na fonte Comic Sans como se fossem os pensamentos do animal escritos em um inglês rudimentar.

Uma das montagens com a foto do Shiba Inu que virou celebridade.Uma das montagens com a foto do Shiba Inu que virou celebridade.Fonte:  Know Your Meme 

O próprio nome do meme é escrito de forma errada: “Doge”, uma variação de “dog”, que é cachorro em inglês. A palavra nasceu em 2012 em fóruns do Reddit e virou sinônimo de fotos de Shiba Inu.

Com a Dogecoin estabelecida oficialmente, Markus foi o primeiro minerador da criptomoeda, obtendo o equivalente a US$ 10 mil e dividindo metade com o sócio. A partir daí, o projeto foi divulgado em fóruns e redes sociais — atingindo proporções que os criadores jamais imaginariam.

O auge (até agora)

A brincadeira, com o tempo, ganhou ares de especulação financeira — e a Dogecoin passou a ganhar uma importância relativa no segmento de criptomoedas, ainda que bem abaixo de bitcoin e Ethereum.

Em 2014, ainda no ritmo das piadas, a Dogecoin patrocinou uma equipe da NASCAR e até levou o time jamaicano de bobsled para as Olímpiadas de Inverno — praticamente uma reedição do filme “Jamaica Abaixo de Zero”. Ela até virou um jogo em forma de simulador, sem que você precise lidar com a moeda de verdade.

O carro com o patrocínio da moeda.O carro com o patrocínio da moeda.Fonte:  CNN 

O tempo passa e a Dogecoin só volta ao noticiário em 2021. Os motivos foram vários e envolvem alguns elementos que mexeram com a economia mundial nestes primeiros meses do ano: o Reddit e Elon Musk.

Atual CEO de Tesla e SpaceX, além de outros projetos, Musk é uma das figuras mais influentes do mercado de tecnologia também por suas postagens no Twitter envolvendo criptomoedas.

Uma impressão da dogecoin.Uma impressão da dogecoin.Fonte:  Aranami/Flickr 

E ele fala sobre a Dogecoin desde 2018, mas foi só em 2021 que algumas mensagens curtas postadas pelo executivo levaram a criptomoeda a ser valorizada repentinamente.

Além disso, ela virou uma espécie de “queridinha” de comunidades do TikTok e do subreddit WallStreetBets, o mesmo que bagunçou o fundo de investimentos da GameStop.

Esses grupos tinham como objetivo levar a Dogecoin “para a Lua” — expressão que indica valorizá-la ao máximo, para testar os próprios limites da especulação financeira. Se deu certo? Em 2021, ela já valorizou 8.100% — em abril, ela chegou a subir ao mesmo tempo em que as demais principais criptomoedas do mercado sofreram uma queda histórica.

Só que a clássica instabilidade das criptomoedas também atinge a Dogecoin. No momento de escrita deste texto, ela perdeu 43% do volume em apenas 24 horas e viu a capitalização de mercado encolher em pouco mais de 5%. Atualmente, uma Dogecoin é o equivalente a US$ 0,29, segundo o CoinMarketCap.

A valorização ao longo dos anos.A valorização ao longo dos anos.Fonte:  CoinMarketCap 

Anos depois de ser estabelecida, a criptomoeda que nasceu como uma piada virou coisa séria — e parte do mercado especulativo que ela queria parodiar.




Fonte: Tecmundo