Anitta lista planos para mercado internacional: ‘Corri atrás de contatos sozinha’



Na noite de 30 de abril, sexta-feira, Times Square se rendeu a Anitta. Uma imagem do clipe “Girl from Rio”, com a carioca posando na porta de um ônibus, a caminho do Piscinão de Ramos, tomou a praça mais famosa do mundo. A menina do Rio vinha anunciar que estava chegando ao “mercado externo” como eles ainda não tinham visto, misturando bossa nova com trap e cantando em inglês, mas sem esquecer as gírias em português (devidamente legendadas no YouTube).

Dias depois, diretamente de Miami, onde ela mora enquanto foca no mercado internacional, Anitta respondeu por WhatsApp a perguntas sobre seu plano de marketing, relembrou as dificuldades para chegar onde está e contou ter planos para cantar em línguas além de inglês e espanhol.

Qual é o pilar da sua estratégia para o mercado internacional?

São vários pilares, mas o principal deles é trabalhar para que isso aconteça. Colecionei projetos de qualidade no Brasil, investi na minha carreira nacional sem economizar. Consegui números significativos para o restante do mundo.

Como você define essa trajetória?

Rodei o país fazendo vários shows num mesmo dia, a ponto de dormir no avião comercial. Durante dez anos, fiz muita coisa: bailes de favelas, festas de casamentos e 15 anos, grandes eventos, festivais, Olimpíada. As pessoas imaginam que minha carreira começou num jatinho e cheia de glamour. Isso foi acontecer faz pouco tempo. Tudo foi sendo conquistado aos poucos. Sozinha, fui correndo atrás de contatos no exterior e buscando entender como funcionava o mercado fonográfico fora do Brasil. Viajei com o objetivo de conhecer os gostos musicais das pessoas, para ver o que tocava nas festas e baladas, o que aquele país consumia. Estudava sobre como eu podia adentrar com a minha música.

Foi assim que os trabalhos começaram a aparecer no exterior?

Surgiram parcerias significativas com artistas latinos como J.Balvin e Maluma, por exemplo. Trouxe a latinidade do reggaeton para alguns dos meus trabalhos e tive uma aceitação muito legal dos países latinos. A partir daí, surgiram outros inúmeros convites, até mesmo para ser jurada do “The Voice”, no México. Nunca abri mão de tentar sempre o melhor, com qualidade e profissionais incríveis ao meu lado. Acredito que isso tenha chamado a atenção de outros países também. Ter apostado sempre no funk, um ritmo envolvente, pode ser um dos meus pilares também. A ponto da Madonna me chamar para cantar funk em seu último álbum. E assim as coisas foram acontecendo.

Como se calcula sucesso hoje no mundo? Quais são os principais medidores?

Os charts(ranking de músicas mais tocadas) existem. Mas não foco meu trabalho neles. Tenho sido cuidada por um time excelente fora do país. Feito coisas grandiosas e que, para mim, são importantes como artista. Programas de rádio e TV em que jamais sonhei em estar. Prêmios internacionais, eventos, campanhas e parcerias para a vida.

O que tem sido mais desafiador no mercado internacional?

 Existe, na minha visão, um compromisso pelo chart, que já não é mais minha preocupação como artista. Agora, quero fazer o que eu quiser, o que eu gostar, independentemente se vai atingir o chart X ou Y. Se atingir, ótimo. Se não, ótimo também. Se o trabalho estiver lindo e do jeitinho que pensei, está tudo certo. Este é um grande desafio que enfrento agora (risos).

Como seus planos internacionais impactam seu público nacionalmente?

Meu público entende, sabe de meu propósito e curte letras em outros idiomas. Mas não deixei de fazer música em português. Vou lançando projetos pensando em cenários e regiões diferentes.

Você está aprendendo francês? Quais são seus planos além dos Estados Unidos e de países de língua inglesa?

Estou, sim. Recentemente, lancei uma música em italiano (Paloma, em meados de 2020), em parceria com Fred de Palma. Penso em, talvez, cantar algo em outras línguas também.

Alguns críticos no Brasil pontuaram que “Girl from Rio” pretende levar a nossa cultura para fora do país, mas a batida trap é muito pouco brasileira. Como você responde a isso?

Foi usado o mesmo sample de “Garota de Ipanema” com inserção de batidas e elementos comuns no trap durante o single. E a brasilidade não está somente na melodia dela, que é conhecida no planeta inteiro, devido ao legado e genialidade de Tom Jobim, mas sim pela letra — que fala sobre o Rio de Janeiro sob a minha perspectiva e também com o clipe, que dispensa explicações.

O que podemos esperar das próximas músicas?





Fonte: iBahia