Devo engravidar na pandemia? Confira a história da médica Júlia Cabral


No dia 16 de abril, o Ministério da Saúde instruiu que as mulheres adiassem os planos de engravidar até que a pandemia da covid-19 acabasse. Apesar das grávidas terem se tornado grupo de risco da doença, muitas mulheres correm contra o tempo do relógio biológico. Para elas, cada semana que passa faz muita diferença. 

A publicação do Ministério da Saúde deixou uma interrogação na cabeça de muitas delas: afinal, devo engravidar ou esperar? De acordo com o médico obstetra e especialista em reprodução assistida, Agnaldo Viana, mulheres com mais de 30 anos não devem adiar os planos de gravidez. “É uma faca de dois gumes, porque se as mulheres dessa faixa etária esperam mais tempo para tentar engravidar, elas podem encontrar dificuldades no futuro”, explica. 

Foi assim com a médica Júlia Cabral, paciente de Dr. Agnaldo. A faculdade, residência e especializações foram as prioridades até ela se estabelecer no mercado de trabalho. Quando o desejo da maternidade se tornou mais forte, a baiana descobriu que tinha a síndrome do ovário policístico. Daí em diante foram diversos exames, tratamento e injeções que acabaram não dando certo. 

“Eu estava cansada, porque os tratamentos geram muita ansiedade. Quando pensei em parar um pouco, veio a pandemia e a clínica precisou fechar para adotar os protocolos da covid-19″, explicou. Ela estava certa de que a gravidez não viria naquele momento, mas em meio aos plantões com pacientes de covid-19 em junho, Júlia descobriu que seria mãe. 

Alice hoje está com quase dois meses | Arquivo pessoal
  • Como as grávidas devem se cuidar durante a pandemia? 

Gerar uma vida durante a maior pandemia do mundo não é nada fácil. Dr. Agnaldo reforça que neste momento a gravidez exige ainda mais cuidados. “O cenário ideal é manter o isolamento social. Esse isolamento não é o isolamento do mundo, até porque é muito importante que a gestante tenha uma rede de apoio forte”, explica. Essa rede de apoio pode ser formada por amigos e familiares e deve permanecer ao longo do puerpério, fase que se inicia após o parto.  

Além da rede de apoio, é interessante que as grávidas da pandemia cuidem também da saúde mental. Júlia precisou parar de trabalhar por causa da exposição da profissão, e com o tempo vago fez yoga, meditação, acupuntura e continuou na terapia online. Toda essa preparação foi essencial para a chegada da pequena Alice, que veio ao mundo durante o momento mais crítico da pandemia no Brasil. 

A médica precisou arranjar um outro hospital às pressas | Arquivo pessoal

“Perto do meu parto, os hospitais estavam lotados. O hospital que eu tinha escolhido para ter a minha filha não pôde me atender”, relatou Júlia.  

Sessão de fotos para comemorar a gravidez | Arquivo pessoal

Dr. Agnaldo também reforça sobre a importância de viver o momento da melhor forma possível. “Sempre digo para as mulheres fazerem ensaios fotográficos, tirarem fotos desse momento. Os grandes marcos da vida precisam ser registrados”, afirma.  

Apesar dos medos e incertezas da pandemia, para Júlia tudo valeu a pena. Com quase dois meses, Alice trouxe luz para um momento tão difícil. “Desde que Alice nasceu eu descobri uma força que eu não sabia que tinha”, ressalta.  





Fonte: iBahia