Hamilton constrói pole 100 e dá golpe duro na Red Bull

Lewis Hamilton alcançou a marca história de 100 poles na Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

Depois do GP de Portugal, levantou-se uma dúvida sobre o quanto a Mercedes havia recuperado terreno frente a uma Red Bull muito bem acertada. Em um primeiro momento, a incerteza vinha das circunstâncias excepcionais do circuito de Portimão, como o asfalto, a pouca a aderência e ao fato de que, mesmo impondo um ritmo semelhante, Max Verstappen não consegui se aproximar o bastante do carro #44, sem contar os pequenos erros cometidos desde a classificação e que o colocaram em desvantagem. Só que Barcelona, essa conhecida de todos, revelou um cenário mais próximo da realidade. Embora não tenha levado à Espanha novidades ao W12, a heptacampeã parece ter entendido os segredos de seu carro e, mais do que isso, Lewis Hamilton tem uma compreensão ainda mais ampla do que tirar do modelo que nasceu arisco, mas que agora parece bem menos invocado.

Portanto, a brilhante pole 100 foi conquistada em cima desse trabalho. Ao longo da classificação, Hamilton foi tateando o acerto, até encontrar uma configuração mais harmônica. “Fiquei um pouco ansioso com as mudanças que iríamos potencialmente fazer para a classificação. Sempre tentamos tornar o carro melhor, mas é um pouco arriscado porque você ainda tem de manter a corrida em mente também”, explicou o britânico.

“Então, fizemos essa mudança e, assim que saí, pensei: ‘Está errado’. Foi minha decisão no final, mas foi muito difícil. É por isso que eu estava atrás durante grande parte da sessão. Estava fazendo pequenos ajustes aqui e ali para tentar melhorar o ritmo, mas a primeira volta [do Q3] foi a melhor que consegui em toda a sessão, o que foi ótimo. Eu tentei baixar esse tempo depois, mas não deu”, contou.

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Lewis Hamilton ainda incrédulo com o feito que acabara de realizar (Foto: F1/Twitter)

O fato é que o crédito pela posição de honra precisa ser dado a inglês, mas é preciso reconhecer também que a Mercedes foi capaz de evoluir. Tanto é verdade que Valtteri Bottas ficou pouco mais de 0s1 atrás do colega de equipe. A disputa pelo campeonato, então, está mais do que parelha nesse momento. Há uma igualdade técnica que há muito a Fórmula 1 sonhava. “Parecia que Max e a Red Bull tinham uma grande vantagem no Q2, mas continuamos reduzindo essa diferença e, no final, os três primeiros pilotos ficaram separados por um décimo, o que é exatamente como queremos que seja na F1. Quer dizer, uma luta por cada milésimo de segundo” disse o chefão da Mercedes, Toto Wolff.

“Lewis e Valtteri fizeram um trabalho fantástico nas voltas finais e, quando as margens são tão pequenas, cada detalhe faz a diferença”, completou.

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E às vezes a diferença é a segunda colocação. É bem verdade que Verstappen assombrou na segunda fase da classificação, confirmando a impressão deixada antes de que os taurinos estavam reservando o melhor para o fim. A volta registrada ainda no Q2 na casa de 1min16s foi uma prova. No fim, o holandês não pode conter o giro perfeito do adversário. “Briguei um pouco mais com o carro no Q1, mas depois resolvemos o equilíbrio para a segunda parte, o que foi muito bom. Então, no Q3.  para ser honesto, ambas as voltas foram bem decentes. Apenas a segunda volta foi um pouco pior por qualquer motivo. Foi difícil, o vento mudou de direção, não sei“, explicou Max.

“No entanto, acho que o segundo lugar para nós, aqui nesta pista, foi muito bom hoje. Sabemos que é difícil vencê-los aqui, mas estou feliz porque estamos muito perto”, disse.

Max Verstappen vai largar ao lado de Lewis Hamilton na primeira fila (Foto: Red Bull Content Pool)

Apesar do equilíbrio, não dá para esconder o fato de que a performance de Hamilton e da Mercedes representa um banho de água fria para a Red Bull, que pareceu muito melhor ao longo da definição do grid. E a pole era fundamental em um circuito de difícil ultrapassagem, por isso o GP da Espanha terá dois fatores chave: a largada e a gestão dos pneus, que, uma vez mais, vão desempenhar um papel crucial.

Diferentemente de Portimão, Barcelona tem um asfalto mais abrasivo e curvas mais exigentes, então, com as temperaturas mais altas, o desgaste da borracha tende a ser maior. Portanto, a corrida deste domingo será uma prova de duas paradas – até porque se perde menos tempo no pit-lane. A escolha dos compostos também será decisiva, uma vez que a diferença de performance entre eles está maior – a Pirelli levou à Catalunha a gama mais madura.

“A opção de pneu para a largada foi bastante direta. Isso porque o pneu mais duro não está funcionando bem, então todos do top-10 preferiram o macio. Esperamos também que a maioria use apenas macio e médio amanhã”, disse Andrew Shovlin, engenheiro de pista da Mercedes.

Os três primeiros colocados ficaram separados por apenas 0s1 (Foto: AFP)

A tese foi corroborada pelo chefe da Pirelli, Mario Isoa: “O pneu macio será uma parte fundamental do plano de corrida. Muita gente deve optar por uma tática de dois pit-stops. Mas também não quer dizer que seja a única solução: com um bom gerenciamento de pneus, é possível fazer um único pit-stop.”

Diante disso, dá para imaginar que este seja realmente um GP tático, mas a posição de pista será importante. Como de costume, a estratégia exata também será influenciada pelas temperaturas, que tendem a ser semelhantes a deste sábado, com muito calor.

A Mercedes larga em vantagem, enquanto a Red Bull precisa da vitória para a equilibrar o jogo.

O GP da Espanha tem largada marcada para 10h (de Brasília) deste domingo.





Fonte: https://www.lance.com.br/