#tbt: Inconformada com a separação, mulher mata dois filhos de 7 e 12 anos

Quem deveria amar, engana. Quem deveria proteger, mata. Ao longo da história a humanidade vem colecionando casos de pessoas que ferem e matam em nome do que classificam como amor. Fruto de transtornos psiquiátricos, ou de falta de escrúpulos, como no mito da Medeia, homens e mulheres frequentemente surgem protagonizando episódios abomináveis de crueldade, muitas…

TJ/AL

Quem deveria amar, engana. Quem deveria proteger, mata. Ao longo da história a humanidade vem colecionando casos de pessoas que ferem e matam em nome do que classificam como amor.

Fruto de transtornos psiquiátricos, ou de falta de escrúpulos, como no mito da Medeia, homens e mulheres frequentemente surgem protagonizando episódios abomináveis de crueldade, muitas vezes, tendo como vítimas seus próprios filhos.

O #tbt da Notícia vai relembrar a história de Arlene Régis dos Santos, alagoana que assassinou dois dos seus três filhos para se vingar do esposo por não aceitar o fim do relacionamento.

Era 29 de setembro de 2009, quando Arlene Régis tirou a vida de seus filhos dentro da residência da família, na Rua Acaraú, nas imediações do Aeroclube de Maceió, no bairro de Santa Lúcia. Um dia antes do crime, a dona de casa ofereceu Rivotril aos três filhos, de 7, 12 e 15 anos. Sem que a mãe percebesse, um deles, o  adolescente de 15 anos, cuspiu a medicação e se dirigiu ao quarto para dormir. 

Os dois filhos menores foram chamados para dormir no quarto da mãe como de costume e durante a madrugada, a mulher se levantou e fazendo uso de um pano asfixiou o menor de sete anos, que morreu sem esboçar reação. Já o menino de 11 anos ainda tentou se desvencilhar da mãe durante o enforcamento e foi esfaqueado várias vezes, no peito e no pescoço. Os corpos dos irmãos foram encontrados de mãos dadas.

Após assassinar os dois filhos, ela seguiu para o quarto dos filhos e tentou matar o adolescente de 15 anos, que conseguiu fugir da mãe e buscar ajuda com vizinhos.

Para justificar o crime, Arlene Régis disse que estava possuída por uma entidade e que o crime foi cometido por um “espírito do mal”. Na delegacia, a mulher se batia no chão, revirava os olhos e falava com tom grave: “está vendo o que eu fiz com os filhos dela?”.

Arlene Régis estava em processo de separação e no dia do crime, o marido tinha decidido dormir na casa de familiares.

Após o crime, a dona de casa foi diagnosticada com transtorno emocional instável de personalidade, Borderline, e ficou detida por muito tempo em um centro psiquiátrico. O crime brutal, que chocou toda a sociedade alagoana, só foi levado a júri popular nove anos depois e Arlene Régis foi condenada a 80 anos de prisão.

Durante os depoimentos, o marido de Arlene contou que tinha uma relação conturbada com a mulher e relatou que a dona de casa havia deixado uma carta contando os motivos para o crime. O filho sobrevivente também relatou queno dia anterior ao crime, a mãe estava bastante agitada e andava pela casa demostrando perturbação. Ele também teria presenciado a mãe tendo um ataque de fúria no momento em que pai das crianças anunciou que queria se separar.

Pedido de prisão domiciliar

Por conta da pandemia do novo coronavírus, a defesa de Arlene Régis tenta, desde o ano passado, que a ré cumpra pena em prisão domiciliar por integrar grupo de risco para a Covid-19. Contudo, o pedido foi negado tanto pela 16ª Vara Criminal da Capital quanto pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas, Sebastião Costa Filho.

Para justificar a permanência da acusada no sistema prisional, os magistrados alegam que o benefício de relaxamento de prisões provisórias e/ou deferimento de progressão de regime prisional, sobretudo daqueles presos que integram o grupo de risco, só é dado a acusados de crimes que não envolvem violência contra a pessoa, conforme recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Não obstante, há de se ter em mente que a referida medida tem por escopo abranger imputações tidas como menos graves, indicativas de menor risco à segurança pública, o que não me parece ser o caso da paciente, condenada à pena de 80 anos pelo crime de homicídio qualificado duas vezes. Frise-se, ainda, que apesar de a impetrante informar que a paciente seria integrante do grupo de risco e que um reeducando testou positivo para COVID-19,verifica-se, em consulta ao sítio eletrônico da Secretaria de Ressocialização e InclusãoSocial – SERIS, a existência de um protocolo de isolamento em hospital de campanha montado no presídio Santa Luzia, de modo a evitar que os demais detentos sejam infectados”, disse o desembargador em sua decisão.

Com o indeferimento, o processo agora está sob análise da presidência do Tribunal de Justiça, que irá verificar se a ação cumpre os requisitos para seguir para análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Matéria referente ao processo de número 0803737-49.2020.8.02.0000.

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Fonte: Alagoas24horas