Apesar da pandemia, produtores de licor registraram aumento de vendas no São João


Com mais um ano de pandemia, os festejos juninos não poderão ser realizados presencialmente no Nordeste. Porém, a tradição de beber licor no São João continua viva e, por isso, os produtores da bebida encontraram formas de se manter mesmo sem as festas.

Produzidos em diversos sabores, os licores, além dos tradicionais, vem ganhando cada vez mais espaço com a bebida em versão cremosa. Ou seja, tem para todos os gostos, dos mais tradicionais como Jenipapo e Tamarindo, até os de Doce de Leite e Pimenta.

Mas afinal, o quanto essa tradição foi afetada por conta da pandemia? Para entender os efeitos econômicos, o iBahia conversou com produtores de licor. Confira:

Os produtores relataram que a grande dificuldade enfrentada durante o período de pandemia foi o aumento do custo da produção.

De acordo com a proprietária do Licor Fino Sonho de Valsa, Elma Pereira, de Valença (BA), inicialmente, a pandemia não afetou diretamente a saída dos licores, porém como praticamente todas as matérias primas estão em falta, a deles também ficaram mais escassas e com um custo elevado para aquisição.

Já o proprietário do Licor do Porto, Vinicius Mascarenhas, de Cachoeira (BA), explicou que como a pandemia afetou a produção dos licores em questão de matéria prima e insumos, eles tiveram que encomendar garrafas em Minas Gerais, devido à dificuldade de produzir esse material aqui na Bahia.

“Nós tivemos um aumento de matéria prima, entre 40 a 50% de alguns produtos, como o álcool de cereais, que a gente trabalha para produzir os licores”, exemplificou Vinicius.

Segundo o produtor do Licor Roque Pinto, Rosival Pinto, de Cachoeira, com a pandemia, muitas empresas tiveram o seu quadro de funcionários reduzidos e isso acabou afetando a compra de matéria prima, já que a demanda de clientes continua grande nesses tempos de isolamento social.

Para o proprietário do Licor do Tio Jura, Juarez Almeida, também de Cachoeira, a elevação dos preços é o principal problema para produzir os licores. Com a pandemia, muitas empresas próximas fecharam e ficou muito difícil comprar esses insumos por conta do deslocamento também.

Na contramão do mercado, vendas se mantiveram boas

De acordo com o proprietário do Licor do Porto, Vinicius Mascarenhas, as vendas não foram afetadas pela pandemia, pelo ao contrário, com o isolamento social, as pessoas têm consumidos mais licores, para manter a tradição do São João.

Juarez Almeidas, proprietário do Licor do Tio Jura, concorda com Mascarenhas e aponta um crescimento de 20% nas vendas.

Já para a proprietária do Licor Fino Sonho de Valsa, Elma Pereira, considerando que sua marca está no mercado desde 2010, mesmo com a pandemia houve um aumento de 40% nas vendas, pois eles já possuem um público e com isso estão conseguindo manter e expandir o negócio.

O produtor do Licor Roque Pinto, Rosival Pinto, ressaltou ainda que a expectativa das vendas esse ano, está sendo maior do que do ano passado, pois com a pandemia, eles ficaram receosos de fazerem muitos licores e não conseguir vender.

“Este ano as pessoas estão comprando mais licores, então estamos fabricando mais de 30 sabores para vender durante este isolamento social”, disse Rosival.

Para se manterem ativos, os produtores precisaram entrar no universo das redes sociais, conforme explicou Elma Pereira. Além disso, ela destacou a realização de parcerias com influenciadores digitais e o famoso boca a boca, como forma de impulsionara as vendas.

De acordo com Vinícius Mascarenhas, as redes sociais se tornaram uma ótima alternativas de vendas, eles estão investindo na divulgação no Instagram e em rádios para que a produção não pare.

“As vendas dos licores online aumentaram 80%, pois o pessoal começou a fazer pedidos nas redes sociais e vem ajudando muito, por que não aglomera e diminui o risco de ter covid-19. Nós mandamos a bebida para Salvador, interior e até outros estados”, disse Vinicius.

Juarez Almeida acredita que, independentemente da festa, as pessoas seguem consumindo licores, e através das redes sociais conseguem ver os preços e fazer as encomendas.

Já o Licor Roque Pinto não realiza vendas onlines e as redes sociais são voltadas apenas para a divulgação dos produtos. Para as pessoas que desejam adquirir a bebida, está sendo realizado uma retirada pelo WhatsApp.

*Sob supervisão da repórter Claudia Callado





Fonte: iBahia