Aplicativos da ‘moda’ investem em futebol para ampliar alcance e visibilidade


Campinas, SP, 08 – A forma como se consome futebol e outros esportes foi alterada consideravelmente nos últimos anos e essa mudança foi potencializada pela pandemia de covid-19, que afastou os torcedores dos estádios. Nesse cenário, não são somente os serviços de streaming que se inseriram no universo do esporte. TikTok e Kwai, aplicativos de vídeos curtos, decidiram investir alto em conteúdo esportivo e fecharam acordos de impacto para ampliar seu alcance e visibilidade.

TIKTOK NA SÉRIE C

O TikTok tem parceria com a Copa do Brasil; Eurocopa; times americanos de futebol como Portland Timbers e Portland FC; equipes brasileiras, como Corinthians, São Paulo e Palmeiras; já transmitiu jogos ao vivo da Copa do Nordeste, do Campeonato Carioca; amistosos das seleções europeias e recentemente firmou por sua iniciativa acordo com a CBF para a exibição de partidas da Série C do Campeonato Brasileiro, torneio mostrado também pelos serviços de streaming DAZN e TV Nsports, além da Band na TV aberta.

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PARCERIAS DO KWAI

O Kwai ajudou a escolher o novo comentarista do Jogo Aberto na Band, tem parceria com Brasileirão e times como o Flamengo, Botafogo, Santos, além do NBB. A companhia patrocina a Copa América e permite que fãs mandem perguntas para jogadores da seleção brasileira responderem.

EXPLORAR O FUTEBOL

As duas plataformas chinesas vão muito além das dancinhas e dublagens. Elas não investem apenas em futebol, mas enxergam no esporte mais popular do Brasil uma forma de aumentarem seu alcance à medida que os fãs vão migrando para a internet. É um filão a ser explorado e a ideia, tanto de TikTok quanto do Kwai, é ampliar a gama de conteúdos esportivos.

“Estamos focados em aumentar o nosso ecossistema de ofertas e conteúdos em todas as categorias”, promete Kim Farrell, diretora de marketing do TikTok para a América Latina, em entrevista ao Estadão.

O QUE O TIKTOK TRAZ?

Segundo Farrel, o TikTok tem como estratégia: “democratizar o acesso a um conteúdo de qualidade e autêntico”. A plataforma fica de olho no que é tendência na internet e no que os usuários estão consumindo para oferecer mais novidades “positivas e transformadoras”.

“Estamos realmente focados em criar um ecossistema diversificado de conteúdo que envolva nossa comunidade, que inclui fãs de esportes desde os mais assíduos até os mais casuais”, explica.

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Foto: Twitter oficial da Copa do Nordeste

A parceria com a CBF, segundo a diretora do TikTok, é algo interessante para ambas as partes, pois a plataforma “vai oferecer conteúdos variados” e a entidade que rege o futebol brasileiro “poderá se conectar com os seus fãs em uma das maiores plataformas de acesso gratuito do Brasil”. O conteúdo sobre futebol tem crescido muito no TikTok em todo o mundo, com mais de 150 bilhões de visualizações em hashtags como #football #soccer, além de cerca de 10 bilhões de visualizações da hashtag #futebol.

KWAI SEGUE OUTRO CAMINHO

O Kwai não transmite partidas de futebol, mas investe pesado em parcerias com influenciadores ligados ao esporte. e seus executivos consideram que pode ser “a segunda tela” para o fãs de futebol, especialmente, “oferecendo conteúdos e experiências relevantes e complementares ao que ele já acompanha em outros meios”. “A ideia é ser um ambiente onde a torcida de várias modalidades possa se encontrar virtualmente e compartilhar suas emoções e criações ao redor do mundo esportivo”, salienta Mariana Sensini, diretora do Kwai no Brasil.

O ex-jogador Jakson Follmann, um dos sobreviventes da queda do avião da Chapecoense, o humorista Yuri Marçal, o ex-jogador Sorín e o influenciador Cárter Batista, que tem uma página sobre futebol com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, são alguns dos nomes que já marcaram presença em produções do Kwai.

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Foto: Twitter oficial da Copa América

PANORAMA ATUAL

Jovens são os que mais consomem os vídeos nessas plataformas e redes sociais, mas os aplicativos já atraem consumidores mais maduros no Brasil também. Mas um dos desafios dessas empresas continua sendo trazer fãs de esportes tradicionais, geralmente mais velhos, que não estão conectados à tecnologia.

“O TikTok é divertido para pessoas de todas as idades, interesses e origens e sua comunidade é diversa, global, participativa e inclusiva. O que é único sobre esportes no TikTok é que nossa comunidade não é atraída somente por destaques ou pelo que pode ser considerado conteúdo esportivo ‘tradicional’”, diz Farrell.

Inserir as marcas em desafios e brincadeiras que se tornam virais entre os usuários é uma das táticas do TikTok e do Kwai para atrair anunciantes. Os dois não abrem o valor que investiram no mercado esportivo e quanto planejam obter de retorno. Mas o Kwai ressalta que colocou US$ 10 milhões (R$ 52 milhões) no “Programa de Criadores de Esportes”, direcionado a criadores de conteúdo esportivo latino-americanos que queiram atualizar suas produções com workshops e que contam com uma equipe para ajudá-los em sua jornada.

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Foto: Twitter oficial do Santos

“O programa terá duração de doze meses e quer encorajar criadores de conteúdo original voltado a esportes de todas as modalidades a desenvolverem o tema em vídeos curtos, crescendo como criadores no Kwai”, pontua Mariana.

YOUTUBE NÃO QUER FICAR DE FORA

O YouTube também está muito atento ao futebol no Brasil e não fica atrás nessa corrida pela audiência na internet, tanto que fechou contrato com a Federação Paulista de Futebol para transmitir jogos do Paulistão a partir de 2022, tornando-se a única plataforma digital aberta a ter acesso às partidas. O acordo prevê a exibição ao vivo e de forma gratuita de 16 partidas do Estadual por temporada: um jogo por rodada da primeira fase, além de um duelo das quartas de final, um da semifinal e as duas finais.

A rede social que pertence ao Google adquiriu parte do pacote que era da Globo até a última edição do Campeonato Paulista.

“Esperamos poder trazer jogos emocionantes do campeonato, assim como todo tipo de conteúdo relacionado à transmissão, capaz de agradar ao nosso público global e diversificado”, observa Fábio Coelho, presidente do Google Brasil.

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Fonte: Futebol Interior