Dois de julho: por que a Independência do Brasil começou na Bahia?


Não é à toa que no Hino da Independência da Bahia diz: ‘nasce o sol ao 2 de Julho, brilha mais que no primeiro! É sinal que neste dia até o sol é brasileiro’. Foi aqui na Bahia que se deu o primeiro passo em direção à independência de Portugal, através da luta do povo.  

Em entrevista ao portal iBahia, o professor de geografia política do Ifba e mestre em educação, Ubiraci Carlúcio do Santos, conhecido como professor Bira (@professorbira), explicou que no final do século XVIII e início do século XIX já estava acontecendo um movimento liberal na Europa, através da Revolução Francesa e da derrubada do Antigo Regime. Estes  ideais ressoavam em todo o mundo e aqui no Brasil não foi diferente.

Desfile do 2 de julho em Salvador EM 2016 (foto: Camila Souza/GOVBA)

“O Brasil ainda era uma colônia de Portugal, mas já efervescia aqui os ideais liberalistas e os movimentos abolicionistas. Já havia acontecido a Conjuração Mineira e a Conjuração Baiana (Revolta dos Búzios) e já havia, por parte da burguesia e do povo em geral, um descontentamento com os impostos altíssimos cobrados pelo país colonizador”, explicou o professor.

Por causa deste movimento aqui no Brasil e também na Bahia, uma província enriquecida pelos embates populares, Portugal enviou tropas para o país, mas eles não contavam com a força do levante popular contra a colonização.

Além da burguesia, que claramente não queria mais o domínio português, os negros escravizados, o indígenas, os lavradores e os caboclos se uniram ao exército brasileiro contra as tropas portuguesas.

Além da capital, a revolução tomou conta também de outras cidades baianas, como Cachoeira, onde começaram os conflitos com as tropas portuguesas. Em Itaparica, a marisqueira Maria Felipa reuniu um grupo de mulheres para seduzirem os portugueses e, em seguida, atearam fogo nos barcos da tropa.

“O movimento tomou enormes proporções após a morte de Joana Angélica, por um tiro de baioneta, após os portugueses tentarem invadir o convento da Lapa. Isso se espalha pela cidade de Salvador e tudo fica ainda mais tenso”, ressaltou o professor Bira.

A batalha principal, que resulta na soberania nacional e na vitória do povo brasileiro, acontece no bairro de Pirajá, sob o comando do general Labatut. No dia 2 de julho de 1823, o exército português se rende e o povo baiano celebra a Independência da Bahia que irá levar à consolidação da separação do Brasil com Portugal.

“A Independência da Bahia tem uma forte veia da participação do povo, onde negros, indígenas, mulheres, intelectuais participaram. Tanto que o desfile dos dias atuais não possui um caráter bélico e sim um traço muito forte da participação popular, tal como foi em 1823”, finalizou o professor.





Fonte: iBahia