Covid-19 faz reacender alerta sobre problemas cardíacos em jogadores


Campinas, SP, 23 (AFI) – As preocupações que a pandemia do novo coronavírus trouxe para o mundo do futebol não param de crescer: além de todos os riscos de lesões trazidos pelo acúmulo de jogos e os potenciais problemas de saúde mental dos jogadores, ainda há um grande perigo relacionado às sequelas deixadas pela doença. Mesmo que a covid-19 não afete de forma grave a maioria dos atletas que são infectados, já que eles têm uma alimentação saudável e praticam exercícios regularmente, mantendo bons níveis de imunidade, o corpo pode sentir os efeitos do vírus em longo prazo.

São várias as possíveis sequelas da covid-19. Entre as principais, estão os problemas respiratórios, o cansaço excessivo e as complicações cardíacas, principal motivo de preocupação por parte dos médicos do esporte. Tudo isso se torna ainda mais nocivo ao analisar a quantidade de atletas infectados. Um estudo realizado na Universidade de São Paulo e publicado em março deste ano mostrou que a incidência da doença no futebol paulista estava entre as mais altas do mundo. Foram analisados cerca de 30 mil testes feitos em jogadores e a taxa de resultados positivos foi de 11,7%, um número equivalente ao registrado entre profissionais da saúde que trabalham diretamente no combate ao vírus.

Quase um a cada quatro pacientes internados com covid-19 sofre com acometimento cardíaco após a aparente recuperação da doença. A alteração pode ocasionar miocardite, uma inflamação nos músculos do coração. Por isso, é de fundamental importância que todos os jogadores de futebol que foram diagnosticados com a doença sejam acompanhados por meses após a recuperação. O maior risco é de uma morte súbita durante a prática do esporte.
Angélica Collado, formada em medicina e colunista do portal Saudável&Forte, comentou a situação em um artigo recente: “Em um mundo ideal, nenhum jogador diagnosticado com covid-19 deveria voltar aos gramados antes de uma bateria de testes extremamente completa. Entretanto, o mundo do futebol é, em grande maioria, desprovido de recursos. Apenas as equipes de elite, mais ricas, têm totais condições de realizar tal trabalho preventivo. Por isso, o futebol brasileiro das divisões inferiores passa grandes riscos atualmente”.

Um dos casos mais emblemáticos foi o do brasileiro Daniel dos Anjos, atleta do Benfica B. Após ser infectado pelo vírus, Daniel foi diagnosticado com miocardite e obrigado a passar três meses sem realizar nenhuma atividade física. Outro atleta que passou pela mesma situação, este mais conhecido pelos brasileiros, é o atacante Lucas Barrios, ex-jogador de Grêmio e Palmeiras. Tomando esses exemplo, é possível perceber que mesmo que a alteração cardíaca seja percebida e tratada, a prevenção exige um grande comprometimento do atleta, que pode perder ainda mais ritmo, ter a condição física alterada por um longo período e passar ainda mais dificuldades na readaptação necessária para voltar a jogar, com um impacto imensurável para a carreira

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Fonte: Futebol Interior