Do nordeste para o mundo: Duda Beat e Trevo batem um papo com o iBahia


Mulher nordestina, libriana e cheia de amor da “cabeça aos pés”. Quem diria que aquela mulher que passava madrugadas chorando por amores não correspondidos colocaria uma canção na trilha sonora da novela Amor de Mãe? A cantora Duda Beat da música ‘Bichinho’ está de álbum novo, mas com a mesma ‘sofrência’ de sempre.

Foto: reprodução / instagram

Nas palavras de Duda, ‘Te amo lá fora’ fala sobre sobre os dois lados do amor: o sombrio e o “conto de fadas”. O projeto também contou com participações especiais, como o rapper Trevo, baiano que havia acabado de deixar o grupo ‘Underismo’ para construir carreira solo.

Foto: @luizadealexandre

Os dois cantores se uniram para o lançamento de ‘Nem Um Pouquinho’, cujo clipe já ultrapassou a marca de 2.5 milhões de visualizações no Youtube. Em conversa com o iBahia, os artistas deram detalhes sobre os bastidores do projeto, relembraram momentos na carreira e falaram sobre perspectivas para o futuro.


1. O amor mora ao lado: por que cantar sobre esse sentimento encanta tanto?
Quem vê Duda assim, com canções que qualquer coração partido se identifica, nem imagina que a artista vive um relacionamento há três anos com Tomás Tróia.  “O amor é o sentimento que move, que une. É o sentimento mais importante que existe. Ele é cantado de diversas formas porque existem diversas formas de amar”, explica.

São justamente as desilusões amorosas do passado que compõem a ‘sofrência’ da pernambucana. Duda e Thomaz se conhecem desde os quinze anos e se pudesse mandar um recado para a Duda do passado, a artista trataria logo de mandar um recado para si mesma. “Coloque tudo que você pensa como verdade. Olhe para os lados porque o grande amor esta ali e ainda bem que você percebeu”.

Engana-se quem pensa que não há espaço para os românticos no pagotrap. “Como sou um homem preto, não é esperado que eu fale sobre amor. Ele está dentro do ódio e das injustiças. Eu preciso colocar a minha visão sobre esse sentimento”, analisa o baiano.

2. O feat do ano: bastidores de ‘Nem um pouquinho’

Para o rapper, que estava começando a carreira independente, a possibilidade de cantar com a pernambucana era uma oportunidade indispensável. “Eu já sou fã de Trevo tem muito tempo. Escutava as músicas dele sempre que ia à Bahia. Já tinha a canção desde 2017 e, quando ela foi transformada em pagotrap, não pensei nem duas vezes antes de chamá-lo”, relata a artista.

De ares futuristas e com influências do cyberpunk, o videoclipe casou perfeitamente com a estética do novo álbum dela e também com a nova fase da carreira do baiano. “Era a oportunidade que eu precisava para compreender um pouco e disseminar minha arte para novos meios”, declarou o artista.

3. O começo de um sonho e deu tudo certo: sobre inseguranças e reviravoltas
Trabalhar com a música é saber lidar diariamente com o medo de não ser aceito. “Vim de uma caminhada sem muitos exemplos de exemplos de pessoas que conseguiram ser bem sucedidas com a música. Sofremos uma pressão social e até familiar. Com meu trabalho, produzo um discurso para acabar com aquele discurso de que o pagode é algo vulgar e periférico”, fala Trevo.

Já para a cantora, o medo vai embora quando percebe que tudo o que ela está fazendo faz parte da cura dela e que possivelmente ajudará outras pessoas.

4. Pandemia e mais de 500 mil mortos: pos
icionamento de celebridades importa?
Duda Beat já estava isolada antes mesmo da pandemia começar. Como não sabia que aquela apresentação em João Pessoa, que aconteceu no dia 7 de março de 2020, seria um “até logo” dos shows, ela decidiu se isolar em um sitio no Rio de Janeiro para produzir o novo álbum.

No local, conseguiu produzir algumas músicas, mas a noticia de um vírus letal colocou a artista em momentos de “esgotamento criativo” e ao mesmo tempo dentro de um dilema: lançar ou não lançar músicas durante o isolamento social? Ao perceber que as próprias canções também serviriam como companhia para outras pessoas dentro de casa, a cantora resolveu colocar o projeto “na rua”.

Trevo também teve dificuldades para produzir durante o pico da pandemia. “O impacto começou com um empreendimento que eu estava envolvido em fevereiro. Eu tava otimista com alguns investimentos, e tive aquele balde de água fria. Consegui pegar o auxilio e fiz uma vaquinha para lançar minhas músicas. Batemos a meta em uma semana. Sentia que estava precisando entregar algo, comecei inseguro mas acabei fazendo algumas coisas”, rememora.

No universo das celebridades, o ano de 2021 está sendo marcado pela cobrança de se manifestar politicamente nas redes sociais. Duda e Trevo acreditam que os artistas possuem a obrigação de se posicionar politicamente. “Grandes poderes grandes responsabilidades. Somos mediadores sociais e temos esse dever com a sociedade” declarou a cantora que foi complementada pelo rapper: “Eu recitava poesia em ônibus para financiar meus primeiros projetos. É muito justo dar essa resposta ao mesmo espaço”.

Sem shows marcados até que se tenha uma ampla cobertura vacinal mas, cheios de saudade dos palcos, o recado dos cantores para os fãs não poderia ser outro: “Vacinem-se. Qualquer vacina serve”, finalizam.

*Sob supervisão da repórter Mayra Lopes





Fonte: iBahia