Acarajé como sustento: veja histórias de mulheres que alimentam gerações com o quitute


A história nos mostra diariamente que os tabuleiros de acarajé representam não só nossa ancestralidade, mas também a força das mulheres que deles encontram o sustento de suas famílias e influenciam gerações. Hoje, no Dia Nacional da Baiana de Acarajé, o iBahia faz uma homenagem contando um pouco da história de duas mulheres empoderadas e de resistência ligadas a um bem comum, a venda do quitute mais famoso da Bahia. 

Nalvinha vende acarajé na Avenida Centenário
 (Foto: Divulgação)

A animação é algo intrínseco na voz de Lindinalva Nila Freitas, mais conhecida como Nalvinha. Com 62 anos de puro carisma, a baiana de acarajé começou a vender o quitute há 22 anos na porta da casa que morava no bairro de Brotas. Foi uma amiga-irmã dela que ensinou o ofício em 1999. 

“Eu trabalhava na casa de famílias, em lojas, fui manicure, cabelereira, mas nada encaixava. Eu me encontrei vendendo acarajé, me combinou”, revelou ela. 

Nalvinha tem 3 filhos, 6 netos e 2 bisnetos; e sua renda é fruto da venda do quitute na Avenida Centenário. A criação dos filhos foi toda feita pelo acarajé e hoje a filha, segundo ela, é melhor no preparo da iguaria do que ela mesma.

“Minha filha faz um acarajé mais gostoso que o meu. Fora o vatapá, caruru…”, brincou. 

A pandemia foi algo marcante para Lindinalva. Durante a entrevista, ela foi direta ao falar que a costura foi a ‘salvação’ quando a rua estava vazia. Hoje, ela está feliz em ter retomado sua rotina e seu ofício; e o orgulho é contagiante. 

“Me sinto agradecida primeiramente a Deus e aos meus orixás por terem me dado essa orientação, essa profissão. Eu me sinto empoderada quando estou vestida como baiana de acarajé. Uma mulher linda, tenho orgulho de carregar essa ancestralidade, é especial”, finalizou Nalvinha. 

E quem disse que o legado não se perpétua?” A prova viva disso é a história de Ana Acácia Pereira Nery. Com 39 anos, ela tem a imensa responsabilidade de tocar com o irmão, Anderson Nery, de 36 anos, o tabuleiro da famosa baiana Tânia, do Farol da Barra. Em entrevista, ela  revelou que eles (ela e o irmão) são 5ª geração da família que vende o quitute e obtém dele o sustento. 

“Nossa mãe sempre nos ensinou colocar amor em tudo…acho que lá de cima ela está feliz e orgulhosa”, comentou. 

Ana Acácia e o irmão Anderson (Foto: Reprodução/ Tv Bahia)

Tânia faleceu há 3 anos vítima de um câncer. A tradição surgiu com a avó dela no Largo do Relógio de São Bento, que passou para a mãe no Porto da Barra e seguiu com ela até chegar a Ana Cácia no Farol da Barra. A expectativa é que o legado continue com Pedro, único filho de Ana. 

“Eu tenho muita força hoje, por conta do meu filho. Depois da perda da minha mãe, comemorar a data é como ver um filme, passa um filme na minha cabeça. Mas, iremos continuar sempre”, contou ela emocionada.  





Fonte: iBahia