Dia do Supermercado: baianos precisam trabalhar 98 horas para custos com alimentação


Antes de tudo é preciso explicar que uma cesta básica no nordeste é composta por 12 itens (arroz, café em pó, tomate, açúcar, óleo de soja, leite, manteiga, feijão, carne bovina, banana, farinha de mandioca e pão francês). De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), uma cesta alimenta um ser humano, adulto, por exatamente um mês.

Agora, você deve estar se perguntando: e as crianças? Pois bem, cada criança se alimenta de meia cesta básica. O que queremos dizer com essas informações é que uma família baiana, em que vivem dois adultos e duas crianças, se gasta mais que um salário mínimo só para se alimentar. Isso mesmo! Atualmente, o salário mínimo custa R$ 1.100,00 e a cesta – em Salvador – custa R$ 487,59 (no mês de outubro); multiplicando por 3 (2 cestas inteiras e 2 meias cestas) temos, exatamente R$ 1.462,77. 

Se você está assustado, respire porque tem mais. Isso não inclui gás de cozinha, bebidas, nem luz, nem transporte, apenas alimentação. Mas o que fazer?

Foto: Divulgação

Partindo desse pressuposto, o DIEESE faz um cálculo de quanto seria um salário mínimo adequado às famílias. Com base na cesta mais cara que, em outubro, foi a de Florianópolis. Estima-se que o salário mínimo necessário deveria ser R$ 5.886,50; 5,35 vezes a mais que o valor do piso atual. 

A realidade é realmente muito distante. Cabe ainda ressaltar que todas essas estatísticas da ‘Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos’ são baseadas em uma lei de 1938, chamada de Ração Básica Essencial. Ela define quantos nutrientes um ser humano precisa para se manter vivo. 

Jornada de trabalho – Como as pessoas sobrevivem?!
Quando se analisa o tempo gasto pelas famílias para se alimentarem é que tudo complica e se tem noção da luta necessária exercida para sobreviver. O tempo médio necessário para adquirir os produtos de cesta individual ficou em 118 horas e 45 minutos (média entre as 17 capitais); ou simplesmente cerca de 5 dias inteiros e sem dormir.

Em Salvador, já que a cesta é uma das mais baratas, é necessário 97 horas e 31 minutos; 4 dias em média e um comprometimento de 47,92% total da renda de 1 pessoa.

Trazendo para o cenário da família, em que apenas 2 trabalham (que muitas vezes não é a realidade), a conta multiplica para 355 horas e 35 minutos ou 15 dias. Metade de um mês inteirinho!

De acordo com Ana Georgina Dias, supervisora técnica regional do órgão, não há uma solução prática a não ser eliminar os supérfluos e enxugar o possível para se ter o essencial. “Quanto mais a inflação aumenta, mais penaliza que tem baixa renda. Sobretudo em uma cidade como Salvador, com renda baixa, você vai ver preços completamente fora da realidade”, pontuou. 

Dados recentes da Cesta Básica
No último relatório publicado em novembro, referendando o mês de outubro, a cesta mais cara foi a de Florianópolis (R$ 700,69), seguida pelas de São Paulo (R$ 693,79), Porto Alegre (R$ 691,08) e Rio de Janeiro (R$ 673,85). Entre as capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta tem algumas diferenças em relação às demais cidades, Aracaju (R$ 464,17), Recife (R$ 485,26) e Salvador (R$ 487,59) registraram os menores custos.

Ao comparar outubro de 2020 e outubro de 2021, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as capitais que fazem parte do levantamento. Os maiores percentuais foram observados em Brasília (31,65%), Campo Grande (25,62%), Curitiba (22,79%) e Vitória (21,37%)





Fonte: iBahia