Entidades emitem nota de repúdio à operação da PM que matou três na Gamboa


Foto: Reprodução / TV Bahia

Entidades que fazem parte da ‘Articulação dos Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador’ se manifestaram sobre as três mortes registradas nesta terça-feira (1º), na Gamboa, em Salvador, após operação da Polícia Militar. 

“A violência policial permanece como prática corriqueira e naturalizada contra moradores da Gamboa de Baixo. Os depoimentos de testemunhas apontam que as mortes dos jovens não foram decorrentes de resistência e que não houve qualquer reação ou troca de tiros. A polícia não agiu em legítima defesa! Afirmamos que toda pessoa tem direito à vida, ao devido processo legal e a um julgamento imparcial, sendo inadmissíveis execuções arbitrárias como aconteceu”, diz a nota.

Moradores afirmam que a PM chegou na comunidade atirando por volta das 2h desta terça. Durante o tiroteio, três pessoas foram atingidas e morreram: um jovem de 20 anos, identificado como Alexandre dos Santos, um segundo rapaz identificado como Patrick Sapucaia e uma mulher de 30 anos, que teria deficiência intelectual.

A PM afirma que os agentes foram recebidos com tiro ao entrarem na comunidade. Conforme nota da corporação, após revide e posterior progressão no terreno, as equipes encontraram três homens caídos ao solo em posse de armas de fogo e drogas. Já os outros suspeitos conseguiram fugir. 

A nota, assinada por mais de 20 entidades (confira abaixo todos os nome), ainda diz que os “corpos das vítimas foram removidos e o local das execuções foi alterado, impossibilitando, por óbvio, a apuração dos fatos”.

Alexandre Santos, de 20 anos, é uma das vítimas / Foto: Reprodução / Redes Sociais

Confira o comunicado na íntegra:

Nota de repúdio à operação da Polícia Militar (PM) da Bahia que resultou em três mortes na comunidade pesqueira da Gamboa de Baixo, Salvador-Bahia. O caso aconteceu nessa madrugada, 1º de março de 2022.

A Articulação dos Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador e entidades abaixo listadas denunciam a operação da polícia militar da Bahia na comunidade pesqueira da Gamboa de Baixo. Foram executados sumariamente pela polícia os jovens: Patrick Sapucaia, Alexandre Santos e Cleberson Guimarães. 

A violência policial permanece como prática corriqueira e naturalizada contra moradores da Gamboa de Baixo. Os depoimentos de testemunhas apontam que as mortes dos jovens não foram decorrentes de resistência e que não houve qualquer reação ou troca de tiros. A polícia não agiu em legítima defesa! Afirmamos que toda pessoa tem direito à vida, ao devido processo legal e a um julgamento imparcial, sendo inadmissíveis execuções arbitrárias como aconteceu. 

Os corpos das vítimas foram removidos e o local das execuções foi alterado, impossibilitando, por óbvio, a apuração dos fatos.  Além das execuções e tiros aleatórios foram atiradas bombas de gás na Comunidade, de cima da avenida Contorno. A operação não se funda em qualquer mandado de busca e apreensão, como determina a lei! 

A Polícia Militar da Bahia é considerada a mais letal do Nordeste e é líder em mortes por chacinas, segundo dados do relatório “A vida resiste: além dos dados da violência”, da Rede de Observatórios da Segurança. Esses números reforçam a política do estado de genocídio da população negra. 

A Gamboa de Baixo é uma comunidade tradicional do início do século XX, autodeclarada comunidade pesqueira, classificada como Zona Especial de Interesse Social-ZEIS 5 na Lei Municipal no 9069/2016, Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador. Os (as) moradores e moradoras da comunidade são sujeitos de direitos e merecem respeito! 

Uma ação violenta e arbitrária como essa não pode ficar impune! Exigimos o afastamento e responsabilização dos envolvidos. Que o Estado investigue criteriosamente as execuções e todas as demais ilegalidades causadas por seus agentes de segurança contra a comunidade da Gamboa de Baixo nessa madrugada, respeitando o protagonismo das vítimas e seus familiares. 

Artífices da Ladeira da Conceição da Praia

Associação Amigos de Gegê dos Moradores da Gamboa de Baixo

Centro Cultural Que Ladeira é Essa?

Movimento Nosso Bairro é 2 de Julho

Movimento dos Sem Teto da Bahia (MSTB)

Coletivo Vila Coração de Maria

Grupo de Pesquisa Territorialidade, Direito e Insurgência (UEFS)

Grupo Margear- Faculdade de Arquitetura da UFBA

SAJU- Serviço de Apoio Jurídico da Faculdade de Direito da UFBA

Coletivo Resistência Preta

Observatório da Mobilidade Urbana de Salvador

Residência AU+E (FA-UFBA)

Grupo de Pesquisa Ecologia Política, Desenvolvimento e Territorialidades (PPGTAS-UCSAL) 

Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU)

Grupo de Pesquisa Territórios em Resistência (PPGTAS-UCSAL)

Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM)

Grupo de Pesquisa Lugar Comum (PPGAU-UFBA)

IDEAS – Assessoria Popular

CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço

GAMBÁ – Grupo Ambientalista da Bahia





Fonte: iBahia