MPF ouve lideranças indígenas e convoca reunião com PM sobre agressão a Pataxó Hãhãhãe



Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) realizou reunião de urgência com diversas lideranças indígenas para tratar da agressão praticada por policiais militares sobre a pataxó hãhãhãe Priscila Muniz, de 31 anos. O encontro aconteceu na quinta-feira (21), dois dias após o ataque.

A representante indígena foi agredida durante as festividades de comemoração ao aniversário de 60 anos da cidade de Pau Brasil, localizada no sul da Bahia. Na reunião, destacou-se a violência policial em relação aos povos indígenas na região e a insegurança nas próximas festas municipais e regionais, caso prevaleça a impunidade aos responsáveis.

As lideranças indígenas foram ouvidas pela representação da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR/MPF) e Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) na Bahia, onde inclusive tramita um procedimento administrativo que acompanha as políticas de segurança pública e relacionamento das Polícias Militar, Civil e Federal, em relação aos povos e comunidades tradicionais, no estado.

A entidade convocou ainda uma reunião na próxima quinta-feira (28) para analisar medidas e encaminhamentos necessários juntamente com a presença do Comando-Geral da Polícia Militar/BA, da Secretaria de Segurança Pública, da Secretaria Estadual de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social/BA e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Em pauta, dentre outros assuntos, estão:  a necessidade de identificação ágil e
afastamento imediato dos policiais militares envolvidos em casos dessa natureza; a responsabilização exemplar dos agressores; a realização de capacitação específica das corporações militares para ações envolvendo comunidades e povos tradicionais; e medidas a serem adotadas para que fatos como esses não mais se repitam no estado.

O MPF também solicitou à Secretária de Saúde do Estado da Bahia que adote todas as providências necessárias para o cuidado com a saúde da vítima, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), “considerando que a agressão partiu de agentes públicos do próprio Estado, sendo imprescindível toda mobilização possível para o adequado e integral tratamento à indígena Pataxó Hãhãhãe.”

A apuração do caso foi encaminhada à unidade do MPF localizada no município de Ilhéus, que abrange a cidade de Pau Brasil. O Grupo Especial de Atuação para o Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público do Estado da Bahia também foi comunicado para adoção das providências que entender cabíveis, no exercício do controle externo da atividade policial.

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Fonte: iBahia