Pop Bahia: existe mercado musical independente?



Da direita para esquerda: Simone Braz, Faustino Beats, Marcelo Argôlo, Laísa Gabriela e Gustavo Alves (Fotos: Divulgação)

A coluna desta semana é um convite. Nesta quinta (21), estarei junto com Simone Braz, Gustavo Alves, Laísa Gabriela e Faustino Beats no painel “Existe mercado musical independente?”. A mesa faz parte da programação do World Creativity Festival e acontece a partir das 18h no Doca 1 do Hub Salvador, localizado no bairro do Comércio. A ideia é pensar sobre a dinâmica que envolve todo o ecossistema e a cadeia produtiva da música fora do mainstream. O evento é gratuito, mas é necessário fazer uma inscrição no site oficial do festival.

O convite para participar do debate veio de Ana GB, produtora cultural que movimenta a cena de Salvador e atua com artistas super interessantes que já falamos aqui na Pop Bahia: Rachel Reis, Yan Cloud, ÀTTØØXXÁ, entre outros.

“Fazer a curadoria desse painel teve um gostinho especial para mim, que sou produtora da área da música. Pensar em cada pessoa que está fazendo parte dele tem uma questão afetiva e de admiração, pois são pessoas que conheço o trabalho e sei o quanto valorizam o mercado independente que vivemos. Um mercado que, na verdade, de independente não tem nada. São muitas mãos para fazer essa engrenagem funcionar”, afirma Ana GB que também é assistente de produção do World Creativity Festival.

Para adiantar um pouco do que pretendo levar na minha fala, acredito que esse é um mercado que se constrói no midstream. Tenho falado muito esse termo aqui na coluna para me referir às bandas e artistas que têm consolidado suas carreiras, construído uma base de fãs e conseguido circular, principalmente com a volta dos festivais.

Muitas vezes, mercado independente e midstream são usados como sinônimos, mas entendo que há uma diferença entre eles. Da forma como o mercado da música está organizado atualmente, é possível ser independente no mainstream. É possível ser independente até mesmo dentro de uma gravadora.

Na época em que a venda de mídias físicas (CD, DVD, vinil, fita cassete etc.) era a principal forma de lucro, ser independente significava estar fora das gravadoras e construir a sua própria forma de atuação. Atualmente, todos os grandes nomes da música têm as suas próprias estruturas e não dependem das gravadoras para alavancar as carreiras.

Até mesmo Anitta, que tem batido recorde atrás de recorde e certamente é o maior nome de mercado da música brasileira, é uma artista independente. A artista tem total controle sobre os processos artísticos e comerciais que envolvem sua carreira e a gravadora entra muito mais como uma parceira do que como uma definidora das estratégias.

A pergunta que fica – e que será o mote da discussão no painel de quinta – é: o que há de independente nas bandas e artistas que são chamados de independentes hoje? A falta de orçamento para realização do projeto leva a uma grande dependência em diversos níveis, principalmente de editais ou permutas de serviços. Muitas ideias ficam engavetadas pela falta de verba e ações demoram a se concretizar a espera de um patrocínio.

Pensar o midstream enquanto espaço do meio é uma forma de equacionar esses dois lados opostos do mercado musical. Existe esse meio do caminho entre não conseguir realizar os seus projetos e ser a artista mais ouvida no Spotify no mundo. O midstream é o espaço das soluções criativas para driblar o orçamento curto, é o espaço do projeto de nicho, mas que gera uma mobilização ou até mesmo um ativismo de fãs. 

Então, te espero nesta quinta (21), às 18h, no painel “Existe mercado musical independente?”, no World Creativity Festival. E lembre-se de se inscrever!

Marcelo Argôlo*
Jornalista e pesquisador musical que acompanha o cenário musical baiano desde 2012. Mestre em Comunicação pela UFRB, ele é autor do livro Pop Negro SSA e mantém ainda o Instagram @popnegroba sobre a música pop negra da Bahia.

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Fonte: iBahia