‘Deixa a molecada lutar’: Charles Oliveira, Beneil Dariush e o embate de duas linhagens da Chute Boxe no UFC 289


Charles Oliveira x Beneil Dariush é mais do que uma luta pela chance de enfrentar o campeão dos leves do UFC, Islam Makhachev. É uma batalha entre dois ramos diferentes – e gerações – da árvore Chute Boxe.

A Chute Boxe, uma lendária academia de Muay Thai em Curitiba, Brasil, tornou-se uma das maiores equipes de MMA do mundo através do PRIDE, produzindo nomes como Wanderlei Silva e Mauricio Rua – e mais tarde com Cris Cyborg.

Rafael Cordeiro, um dos principais técnicos da equipe na época, deixou o grupo no final dos anos 2010 para abrir sua própria equipe, a Kings MMA, em Huntington Beach, na Califórnia.

Diego Lima, que comanda uma filial da Chute Boxe em São Paulo, guiou Charles Oliveira de iniciante no UFC a campeão até 75 quilos, e o treinador busca mais uma chance pelo ouro – uma revanche contra Makhachev – com vitória no sábado.

Desta vez, porém, o maior aluno de Lima enfrenta Dariush, que treina com Cordeiro’s em Huntington Beach.

“Fico feliz pelos dois, sabendo que ambos vêm da mesma escola”, disse Cordeiro em episódio recente do podcast MMA Fighting Trocação Franca. “O legal disso é que não vai ser conversa fiada. Não faremos nada disso do nosso lado, e não acho que acontecerá de [Jorge Patino] ‘Macaco’ e as crianças. Eles foram todos meus alunos no passado e temos muito carinho um pelo outro.”

Oliveira x Dariush estava originalmente planejado para outubro de 2020, mas o brasileiro teve que desistir por motivos pessoais. Cordeiro disse que procurou o líder da Chute Boxe, Rudimar Fedrigo, antes de aceitar a luta, e recebeu a bênção de seu ex-mentor.

“Liguei para mestre Rudimar na primeira vez que foi marcada e expliquei toda a situação”, disse Cordeiro. “Ele disse: ‘Está tudo bem. Deixe as crianças lutarem. É o sonho deles, ninguém pode tirar seus sonhos. É uma luta que vai levar um deles ao cinturão’”.

“Se é uma luta que não faz sentido, você diz que não vale a pena”, continuou. “Isso me lembra quando Anderson [Silva] foi reservado contra Kelvin [Gastelum]. Eu estava tipo, ‘F * ck, eu não quero essa luta. Não acho que seja uma boa luta. eu até liguei [Silva’s manager Jorge Guimarães], ‘Nós realmente vamos fazer essa luta? Não quero drama, o Anderson treinou conosco por um tempo.’ Fazia sentido para Kelvin na época, mas no final fiquei feliz por nunca ter acontecido. Mas agora é um momento que essa luta faz sentido, Charles e Benny. Ambos são jovens e provavelmente não será a última vez que eles lutam entre si.”

O “Mestrão” Fedrigo disse ao MMA Fighting que vê a disputa de três rounds entre duas linhagens da equipe como um sinal de que o estilo Chute Boxe ainda está prosperando há tantas décadas no esporte.

“Vai ser uma grande luta, sem dúvida”, disse Fedrigo. “Somos profissionais e essa luta é encarada como trabalho. A Chute Boxe obviamente vai torcer pelo Charles, mas essa luta tem algo de especial, porque temos do outro lado o grande mestre Rafael Cordeiro. Mesmo tendo fundado a Kings, sua história ainda está ligada à Chute Boxe; ele ajudou a construir a equipe.

“Na verdade, vejo essa luta como uma consagração do time, porque temos um lutador com a bandeira do time e do outro lado um técnico que se formou na academia. Eu vejo isso como algo bom. Isso é trabalho, não uma rivalidade. Tenho orgulho de tudo que o Rafael constrói e faz. Ele faz um ótimo trabalho, e nós fazemos um ótimo trabalho aqui na Chute Boxe também, então o Charles sai vitorioso e tem mais uma chance de brigar pelo título.”

Cordeiro prevê uma “grande luta” entre seu protegido e “Do Bronx”, que tem o maior respeito pelo rival.

“Ele treina com o Rafael Cordeiro, um dos grandes líderes da Chute Boxe, um homem que levou o nome da Chute Boxe mundo afora”, disse Oliveira ao Trocação Franca. “Essa escola tem o espírito dos guerreiros, o espírito dos que vão sangrar, vão morrer, mas vão seguir em frente.”

A co-luta principal do UFC 289 traz um brasileiro lutando contra um brasileiro nascido no Irã, mas o fator Chute Boxe faz com que Oliveira veja como se estivesse lutando contra um compatriota.

“Da mesma forma que não queremos que brasileiros lutem contra brasileiros, não queremos lutar contra alguém da mesma escola, mas a Chute Boxe é gigantesca e está no mundo todo, então um dia aconteceria”, disse Oliveira. “O Rafael Cordeiro, assim como o Diego, tem o sonho de ser campeão. Da mesma forma que eu quero ser campeão, o Benny também quer ser campeão, então essa luta um dia aconteceria.

“É ótimo para a escola, vai mostrar o ânimo e o quanto somos bons e o quanto estamos trabalhando para fazer as coisas acontecerem, mas ninguém gosta de lutar contra alguém do mesmo time. Ele vai defender o time dele, e eu vou matar e morrer pelo Chute Boxe Diego Lima. Esse é o espírito, e vou continuar caminhando e fazendo o que sempre fiz. Vou mais uma vez elevar o nome e o espírito da Chute Boxe.”



Fonte: mma fighting